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POR QUE OS ADOLESCENTES SOFREM E FAZEM O QUE
FAZEM? |
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por Tayana Kunrath de Oliveira
- Psicóloga - CRP
08/16090 |
tayana.orgone@gmail.com |
Não há
idade que marque o inicio da adolescência, esta é, portanto,
subjetiva, cada uma a experiência de forma particular. Neste
momento, o jovem aguarda um grande percurso antes de entrar na
vida adulta, marcado por conflitos pessoais e para com o
ambiente que o cerca.
Para
Dolto (1990), esta fase pode ser conceituada como “transição”
para a vida adulta, é a ruptura do eu infantil, a morte da
infância. Entretanto, na sociedade contemporânea, esta passagem
da infância á vida adulta, tem se tornado cada vez mais tênue,
isto é, o que antigamente era bem demarcado por rituais de
passagem, hoje se torna menos explicito com a diminuição dos
mesmos.
O
adolescente muitas vezes não consegue, portanto, encontrar seu
lugar na sociedade, afirmando para si mesmo que não faz a menor
diferença para o mundo o fato de ele estar presente ou não.
Logicamente, a família tem grande influencia nisto, os pais
encontram resistência em aceitar o jovem como ser pensante e
ativo. Isto pode se dar, muitas vezes, apenas por que os pais
não sabem realmente “ser pais” de um jovem, impor limites,
zelar por ele, e ao, mesmo tempo, dar liberdade para que ele se
torne um individuo. O jovem, por outro lado,se encontra numa
fase muito frágil, esta pode ser exemplificada, também, pela
privação: o jovem se “esconde”, fica sozinho, para
reconstruir suas defesas, mas, segundo a autora, se este for
“golpeado” durante este processo, as marcas desta agressão
ficaram para sempre. Portanto, frente as dificuldades de
adaptação ao ambiente que antes era o “seu mundo”, a família,
este jovem se volta para outros caminhos
Neste
sentimento de inadequação, ainda, há a questão do suicídio.
Varias outras razões podem ser associadas ao suicídio, mas esta
sensação de inadequação pode ser um dos fatores que começam a
influenciar o jovem a cometer este ato. Quando ele o faz, ele
sente um controle sobre si mesmo que antes não costumava sentir,
ele pensa que após sua morte, as pessoas sentirão sua falta, e
isso o dá coragem. Mas quando o adolescente não chega a cometer
o ato, ele se sente culpado após alguns instantes por ter
pensado ou tentado acabar com sua própria vida.
Os
amigos então, representam um refugio, um “ambiente menos
emocionalmente carregado”, Havighurst,
(1962), no qual ele pode encontrar o reconhecimento como
individuo que não recebe em casa. Segundo Dolto (1990), o
adolescente sem amigos está à deriva e não encontra desta forma
este reconhecimento, algo fundamental para a formação da sua
identidade. Nestes grupos, ele encontra um “novo mundo”. É a
partir deles, que se abrem as portas para a deliquencia,
violência, drogas. O jovem, confuso, e na busca por aprovação e
reconhecimento, se integra nestas circunstancias. Tendo em vista
que, segundo STRAUS, a violência, e agressividade podem ser
entendidas como teste ao meio, uma resposta a um sentimento de
inadequação.
Porém, este processo de individualização se torna
ambíguo de certa forma, “... há um preço a ser pago pelo apoio
dos pares e esse preço é o da conformidade. Ser aceito pelo
grupo exige um grau de conformidade a suas regras: falar a mesma
linguagem, vestir-se no mesmo estilo, compartilhar as mesmas
crenças, os mesmos gostos e mesmos valores. Esse fenômeno é
facilmente observado em qualquer grupo de adolescentes...”
(Joel Davitz) Logo, este jovem entra em
conformidade com os novos valores do novo grupo,
O jovem
não está acostumado a ter direitos, uma vez que seus direitos
estão associados aos direitos que os pais têm sobre eles, afirma
Dolto (1990). Cercado de regras, normas e questionamento acerca
de sua sexualidade, o jovem não tem voz ativa com seus pais,
muitas vezes não sendo considerado e respeitado no âmbito
familiar e social. Estas dificuldades podem acatar problemas
sérios, na qual o jovem se vê sem saída para a obtenção de
respostas para suas perguntas e problemas.
Desta
forma, ele procura as drogas, os jovens as vêem às vezes como
sendo uma única saída. As drogas, apresentam outro aspecto da
adolescência, a necessidade de obtenção de prazer imediata. Num
sentido mais orgânico, o jovem esta lidando com uma descarga de
hormônios constante, a droga portanto, age diretamente na fonte
do prazer, proporcionando ao jovem uma experiência única. A
droga pode lhe garantir relaxamento, anestesiamento, euforia e
outros sentimentos diferentes que lhe tira da realidade dura de
enfrentar. Isto se encontra também, na sexualidade, a procura
por prazer no corpo do outro, imediato.
Mas, o uso de drogas, pode também estar ligada a
construção da identidade própria do jovem, que busca novas
experiências e a aceitação do grupo.
O adolescente que freqüentemente exibe
comportamento violador de normas, moralmente objetável ou
delinqüente, busca o uso de drogas para auto-satisfação ou para
ser reconhecido pelo grupo.
O usuário
de droga estabelece com o grupo também usuário, um forte
investimento afetivo, havendo desta forma, um prazer partilhado.
Estes usuários estão buscando no grupo a similaridade, a
perfeição e a identificação.
O consumo
de drogas, pode estar relacionado portanto, à criminalidade e a
violência, uma vez que o trafico das mesmas pode estar
envolvido, seja para a obtenção da droga ou de dinheiro. Estes
jovens, às vezes estão acompanhados de suas quadrilhas, na qual
organizam como o trafico irá prosseguir, e se necessário, usam
armas e violência para realizar suas operações ilegais. Os
jovens são presas fáceis para os “chefões” das quadrilhas, na
qual usam de sua “mão-de-obra” barata para que possam fazer a
droga chegue ao destino proposto.
O comportamento violento na adolescência tem sido
observado cada vez mais, segundo Straus (1994), o aumento da
violência na adolescência tem sido ligado a algumas mudanças
demográficas fundamentais na composição social e da família; á
instabilidade conjugal e ás flutuações do emprego e da renda dos
pais no final deste século. Tais mudanças tiveram efeitos
dramáticos e deletérios sobre a capacidade das famílias de criar
os filhos e dos adolescentes de dar o grande salto para a vida
adulta e da responsabilidade” numa perspectiva social do
assunto.
Todavia Segundo Pfromm Netto (1932), no
adolescente, o comportamento agressivo pode ocorrer como
resposta normal a experiências frustradoras ou a situações nas
quais se vê vitima de injustiças, quando a afirmação de si mesmo
é perturbadora ou obstaculizada” ou seja, a agressividade e a
violência adolescente, são conseqüências naturais da fase pela
qual ele esta passando.
De acordo
com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), 1990, as
conseqüências de roubos, furtos, agressão, lesões corporais,
porte de arma, tentativa de homicídio, trafico e uso de drogas
realizados por menores de idade podem variar de uma simples
advertência, para medidas de internação, também podendo haver a
obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade,
liberdade assistida ou semiliberdade.
A função de uma lei é dizer como as coisas devem
ser, promovendo uma realidade diferente para algo que não está
garantido. Fruto da luta da sociedade pelos direitos
infanto-juvenis, o ECA, vigora no Brasil desde 1990 para a
população que está entre 0 e 17 anos, garantindo que todas as
crianças e adolescentes, independente de sua cor, raça ou
classe social, sejam tratados como cidadãos que precisam de
atenção, proteção e cuidados especiais para se desenvolverem e
se tornarem adultos saudáveis. Mas também têm direito à
liberdade, ao respeito e à dignidade, usufruindo tanto de uma
vida familiar como uma vida em comunidade, onde então será
possível educá-lo, través da transmissão de valores culturais,
da prática de esportes e do lazer. O jovem de 16 anos ainda têm
direito a se profissionalizar, e a trabalhar (desde que não a
partir das 22 horas) sendo afetados então, como qualquer
trabalhador, pelos direitos trabalhistas. O Estatuto ainda
garante dar prioridade para os problemas de crianças e
adolescentes.
Cada dever aparece, de maneira a corresponder a um
direito, onde assim como os adultos, não se pode praticar nenhum
crime, e devem zelar pela ordem, como todo e qualquer cidadão.
Sendo que ambos os pais continuam responsáveis pela criação e
formação dos filhos, com igualdade de condições no exercício do
poder familiar, cabendo a eles sustentar, permanecer com a
guarda e se responsabilizarem, ambos, com a educação dos filhos.
É,
portanto, coerente pensar, que, o jovem, apesar de não ser
plenamente reconhecido como adulto, responde judicialmente
semelhante a um, e sofre como uma adulto, apesar de não ter as
mesmas responsabilidades. Não é reconhecido como individuo no
que se refere a seus quereres, mas é submetido a deveres,
impostos por aqueles que, teoricamente, não o entendem, “os
adultos”.
Referências:
DAVITZ. Joel. Como quase viver feliz com seu filho
adolescente. 2°ed. São Paulo: Norma. 2000
DOLTO, Françoise. A
causa
dos
adolescentes.
2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990
PFROMM NETTO, Samuel. Psicologia da adolescência. 1° ed.
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: 1932
STRAUS, Martha B. Violência na vida dos adolescentes.
1° ed. São Paulo: Best Seller. 1994
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