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PRA QUE TANTA ANSIEDADE? |
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por Marcus Spruck - Psicólogo -
CRP 08/05539
em co-autoria com Adriano Gabardo -
Psicodramatista |
marcusspruck.orgone@gmail.com
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Por quê ficamos
ansiosos? A ansiedade é uma forma do sistema nervoso preparar o
organismo para a ação. Normalmente, isso ocorre em uma situação de
perigo, de emergência, na qual precisamos estar totalmente
despertos para uma pronta reação. É uma resposta natural do
organismo frente a uma situação que está para acontecer e que se
mostra como ameaçadora à nossa existência física. Ou seja, é um
mecanismo de vida-ou-morte do organismo. Mas como que, por vezes,
esse mecanismo toma conta de nossas vidas sem que de fato exista
um perigo real à existência do ser? Onde está a linha que divide a
prontidão para a ação, a ansiedade, o stress, o medo, o pânico?
Através da Psicologia Corporal, podemos avaliar a flexibilidade de
uma pessoa em lidar com situações novas, sendo que, quanto maior
sua flexibilidade, menor a ansiedade. Quanto mais conectados
formos na nossa relação conosco mesmos e com o mundo, mais essa
energia que surge como que do nada pode ser utilizada de uma
maneira saudável para a ação ou mesmo para o reconhecimento de que
não há o que fazer, se for o caso. Preocupações apenas nos levam a
dispender de energia que poderia ser mais bem utilizada no
planejamento flexível. A carga socialmente adquirida através da
civilização, tal como o desejo do sucesso, o consumismo, a busca
da felicidade, a necessidade de agradar aos outros, o controle das
emoções, etc., acabou por transformar os medos situacionais em
ansiedade generalizada. Normalmente, a ansiedade mascara uma
necessidade real do organismo que não está sendo satisfeita. Por
exemplo, alguém que tenha uma necessidade real de contato e que
não se permita pedir afeto ou mesmo demonstrar afeto por bloqueios
emocionais, pode se tornar tão ansioso a ponto de desenvolver uma
patologia física ou buscar alguma situação de fuga, como drogas ou
atividades compulsivas, para encobrir essa necessidade. Tal
condição de emergência crônica desencadeia pensamentos negativos
decorrentes de expectativas desastrosas, as quais acabam por
exaurir os recursos do organismo a ponto de conduzir a um estado
depressivo, quando então o organismo é vencido pelo cansaço e a
ansiedade baixa, mas por pouco tempo, pois a necessidade
subjacente ainda permanece insatisfeita.
Não podemos esquecer que ansiedade é excitação, é uma qualidade do
ser vivo, e que toda excitação busca uma descarga e que toda
descarga adequada leva ao relaxamento e à satisfação. Então,
procuramos partir da ansiedade para a identificação de
necessidades insatisfeitas ou situações passadas mal resolvidas,
verificamos a possibilidade de realização e desenvolvemos os meios
para tal. Nossa abordagem implica na compreensão e assimilação da
ansiedade e não apenas na sua supressão.
Dessa forma, a assimilação da ansiedade demanda uma ação, a qual
pode ser a descarga de energias bloqueadas devido a situações
inacabadas ou o desenvolvimento de formas criativas em lidar com o
presente. Esse processo de aprendizagem pode ser realizado na vida
cotidiana por tentativa e erro, mas geralmente tal atitude pode
gerar mais ansiedade e, por conseqüência, o aumento do bloqueio da
energia vital e um maior desgaste emocional. Então, porque não
“ensaiar” novas formas de agir num ambiente que seja seguro, no
qual podemos nos expressar de uma forma menos “coercitiva” a fim
de poder melhor compreender a amplitude de uma situação a ser
enfrentada?
O Psicodrama é uma linha da psicologia que se diferencia por
acreditar que todo ser humano tem um potencial criativo e
espontâneo que, quando é desbloqueado, melhora nossa qualidade de
vida. A ansiedade, na visão do Psicodrama é justamente um bloqueio
que aprisiona esse potencial. Através de jogos de criatividade e
espontaneidade, do teatro espontâneo e de outras técnicas
psicodramáticas é possível ampliar a consciência sobre o estado
emocional que está bloqueando seu potencial e experimentar novas
possibilidades de viver o que causa os transtornos. Nesse momento,
a pessoa pode permitir-se vivenciar alternativas hipotéticas e
desenvolver a sua adequação. Podemos então rir ou chorar de nossas
confusões e aprender de forma lúdica a lidar com situações
extremamente difíceis.
A ansiedade acontece justamente nos momentos em que enfrentamos
situações de difícil solução. Uma série de desconfortos físicos
caracteriza a ansiedade: taquicardia, falta de ar, tensão muscular
(podendo ocasionar dores de cabeça e/ou contraturas musculares),
insônia, pensamentos repetitivos e idéias catastróficas. Esses
sintomas bloqueiam nossa atuação criativa e espontânea,
deixando-nos sem ação ou levando-nos a ações inadequadas para o
momento. Quando a pessoa não busca a origem de sua ansiedade, um
ciclo vicioso pode perpetuar-se, no qual o tempo da agenda já não
comporta suas atividades. Seus objetivos tornam-se confusos, as
prioridades são invertidas (priorizar o supérfluo em detrimento do
necessário, viver para trabalhar ao invés de trabalhar para viver,
priorizar o detalhe em detrimento do todo deixando a tarefa
inacabada, entre outros) e terminamos passando por cima das
pessoas, deixando de ouvir e viver coisas realmente importantes.
Não parar para refletir sobre esses círculos viciosos pode
diminuir o prazer de viver e trazer conseqüências mais graves como
depressão, rompimento de relações com pessoas importantes,
desgaste no trabalho, perda de emprego, entre outras.
A tarefa da Psicologia Corporal e do Psicodrama, como agentes de
sensibilização e mobilização, é buscar as origens da ansiedade e
desbloquear nosso potencial criativo espontâneo. O Desenvolvimento
Pessoal com foco na ansiedade tem por objetivo trabalhar na
prevenção dos bloqueios e na facilitação da fluidez, através de
atividades práticas, evitando que ela se torne a protagonista da
vida.
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