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Vivendo com sérias limitações econômicas durante muitos anos,
uma grande maioria de brasileiros foi cedendo à possibilidade de
comprar novas coisas, achando então um gosto e um prazer fora do
comum.
As facilidades que geralmente encontramos hoje em dia para
compra e obter os mais diferentes produtos e serviços nada têm a
ver com aquelas que normalmente podíamos ter anos atrás. A
abundância de cartões de crédito, promoções e liquidações nos
tornam cada vez mais reféns das compras.
Há de tudo à disposição de todos. Uma simples visita a um grande
shopping que te apresenta centenas de novidades, além de uma
grande diversidade de comidas, cinemas, estacionamentos,
brindes, sorteios (quem não quer ganhar aquele carro colorido,
brilhante e com um grande laço de fitas estacionado na entrada
do shopping)? Não é ele mais um estímulo para comprarmos?
Afinal, esta é a função do marketing... Mas devemos nos render
diante disto tudo...?
É muito fácil entrarmos nas lojas e depois não resistirmos para
comprar mais, mesmo que não seja necessário, mas, na hora em que
ficamos diante daquele sapato, daquele vestido,
alguém pensa ser ou não necessário?
Devemos também considerar e, de certa forma nos tranqüilizar,
que a procura do conforto, da estética e da boa qualidade é um
comportamento perfeitamente normal e, mais do que isso é
louvável! Afinal, a sociedade mais e mais reforça que para
sermos aceitos, devemos, DEVEMOS, estar com o corpo sarado, as
formas perfeitas, conhecer os últimos lançamentos em DVD, CD,
peças teatrais, os lugares in para ir às férias (tirar
férias é uma obrigação, não para descansar, relaxar, refletir
sobre a vida, mas para estar na moda, dizer que está integrado,
por dentro do que está acontecendo!) então...
Compro, logo existo!... E estou aceito... Sou bacana, eu sou
o cara! E eis que, pouco a pouco, nos tornamos mais
dependentes do ato de comprar.
Alguns já não se sentem bem consigo mesmos se não puderem
comprar, é como um vício que passa em instantes. Mas este sentir
e agir traz uma preocupação e, apesar disso, muitas vezes
incontrolável: que os gastos com as compras ultrapassam as reais
possibilidades do comprador.
Hoje existem muitas pessoas para quem a chegada das faturas dos
cartões ou de lojas é um autêntico foco de perplexidade, medo e
angústia. Muitos escondem de seus companheiros ou amigos,
alegando que o valor foi gasto com presentes para as festas de
final de ano, aniversário ou, ainda, alegando que os juros é que
estão aumentando o débito da fatura....
Mas, o pior disso tudo não são os gastos, as justificativas
pelos gastos, mas as compras acabam por trazer de novo o vazio.
O vazio que mostra que os objetos desejados e possuídos não
conseguiram mais do que conceder-nos uma satisfação superficial,
uns minutos de prazer e glória, de ter adquirido o que há de
mais moderno, mais aceito e mais efêmero...
Talvez essa descoberta nos conduza a uma reflexão maior: que
precisamos buscar ajuda e que esta ajuda nos leve a interesses
mais profundos, os quais possam saciar as nossas necessidades
maiores.
E que possamos passar do Compro, logo existo! para Penso,
logo vivo!
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