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Extraído dos livros:
Corpomente, de Ken Dychtwald
O corpo revela: um guia para a leitura corporal, de Hector Prestera e Ron Kurtz
O corpo não mente. Seu tom, postura, proporções, tensões e vitalidade expressam o interior da pessoa. Esses sinais são uma linguagem clara para aqueles que aprenderam a lê-los.
O corpo conta coisas sobre nossa história emocional e nossos mais profundos sentimentos, caráter e personalidade.
É freqüentemente fácil reconhecer uma pessoa pela maneira de andar, mesmo à distância. Ao fazê-lo, usamos as mesmas pistas que nos falam de seu estilo de vida. Uma cabeça pendente, ombros caídos, tórax afundado e um andar lento e pesado refletem sentimentos de fraqueza e derrota, ao passo que uma cabeça ereta, ombros retos e soltos, um tórax respirando plena e naturalmente e um andar leve revelam-nos energia e autoconfiança. Tais padrões físicos tornam-se fixos com o tempo, produzindo crescimento e estrutura corporal e caracterizando não apenas o momento, mas a pessoa.
Estas atitudes e padrões musculares fixos refletem-se, intensificam-se e sustentam-se mutuamente. É como se o corpo visualizasse o que a mente acredita e o coração sente e, então, se adaptasse de forma harmoniosa. Isso dá origem a uma maneira de conduzir-se, como o orgulho pode inflar o peito ou o medo contrair os ombros. O padrão muscular, por sua vez, sustenta a atitude.
Cada padrão muscular está associado a um determinado sentimento subjacente; desta forma, o número de padrões básicos é até certo ponto limitado. Esses sentimentos subjacentes e suas interações com as forças do crescimento produzem uma variedade infinita de personalidades. Pode ser mais correto falarmos de tendências e proporções do que tentarmos rotular as pessoas como um tipo ou outro. Contudo, o corpo de cada indivíduo fala mais ou menos claramente dos padrões que possui.
Para observar esses padrões e ler as mensagens que eles contêm é necessário estarmos dispostos a aceitar o que quer que esteja lá. Não é apenas uma questão de ver com os olhos; é mais um sentir com o coração. É um sutil captar de energias e vibrações não explicáveis com facilidade. Até o ponto em que somos abertos, sem medo e conscientemente deixamos que outros indivíduos atuem sobre nós, é até onde vemos seus padrões, captamos suas energias, sentimos sua dor e os conhecemos. Assim, o que o corpo revela encontra-se tanto dentro de nós como dentro de alguém que estejamos tentando conhecer.
Quando falamos em corpo, falamos corpomente, que são os aspectos físicos e psicológicos de uma pessoa e é formado por 5 componentes de influência: 1. Hereditariedade - todos os fatores que estão conosco desde o nascimento e transmitidos por nossos pais; 2. Atividade e exposição físicas - ações, atividades e encontros físicos ao longo de nossas vidas, como andar, dormir, sentar, etc.; 3. Atividade e exposição emocional e psicológica - associação de todas as atitudes e experiências emocionais aos sintomas e às condições físicas; 4. Nutrição - todo o combustível psicológico quanto físico que o corpomente assimila e digere a fim de se suprir dos elementos necessários para sua regeneração e contínuo crescimento e; 5. Meio ambiente - todas as estruturas físicas, sociais e psicológicas em cujo interior conduzimos nossas vidas. Estes 5 componentes são inseparáveis.
Ao longo de nossas vidas o corpomente desenvolve tensões, bloqueios e desequilíbrios psicossomáticos. Existem maneiras de o corpomente poder ser investigado e desenvolvido. As diversas regiões do corpomente mostram de que modo hábitos e preferências da mente estão refletidas no formato e no molde do corpo.
São formas que acabamos formando e criando através de nossas experiências, hábitos, crenças, sentimentos e sensações. Atentos ao corpomente, podemos assumir responsabilidades maiores em relação à criação de futuro isento de conflitos e doenças, repleto de consciência e alegria.
Uma vez que todas as ações e interações são extensões e projeções de quem se é, do como se sente e daquilo em que acreditamos, o melhor que podemos fazer para o resto do mundo é termos um "eu" mais aberto, criativo e amoroso. Se estamos infelizes, zangados, tensos em demasia, dentro de nós mesmos, todas as nossas ações e projeções serão coloridas e temperadas por estes conflitos e limitações internas. Quando estamos abertos, perceptivos e verdadeiramente amorosos, todas as nossas atividades, independente do quanto possam ser pequenas ou ocasionais, tornam-se formas pelas quais nós podemos servir o mundo de modo amoroso e consciente, ajudando a criá-lo de novo.
O trabalho básico tem que ser feito no ponto de partida - sobre si mesmo. As interações sociais, culturais e globais dependem das ações e movimentos dos indivíduos que compõem a rede física e psicológica do grupo. Para que o grupo se modifique e se aperfeiçoe, seus membros primeiro têm de mudar e se desenvolver. A fim de alterarmos nossas projeções, devemos antes re-focalizar o projetor: devemos modificar a nós mesmos.
A fonte de muitos de nossos conflitos existe em nosso interior, em nosso corpomente. E para removermos estes obstáculos ao crescimento e ao desenvolvimento humano também reside nosso interior, aguardando que o investiguemos e descubramos.
O interesse cada vez maior pela expansão da consciência, da percepção, do crescimento pessoal sugere que as pessoas, em número crescente, estão ficando desencantadas com a busca no exterior e com a dependência, tendo começado a procurar em seu íntimo pela soluções e respostas aos conflitos e doenças de suas vidas.
Já que o corpomente é o armazém evolutivo de todos os potenciais de vida, devemos ter esperanças de que, pela investigação de nós mesmos, e pela tentativa de nos desenvolvermos mais completamente, estejamos nos dirigindo para regiões de maior auto-conhecimento, dentro de cujos limites aguarda a transformação da consciência humana.
No nível mais profundo, a mudança sempre envolve o corpo. Uma nova atitude significa novas percepções, novos sentimentos e novos padrões musculares. A mudança psicológica e fisiológica andam lado a lado. Não devemos esquecer que sentimentos são a vida do corpo, pensamentos são a vida da mente.
Uma vez que nossos traumas mais profundos estão enterrados em nossas entranhas e músculos, para nos libertar devemos libertar nosso corpo. Contudo, nós somos mais que apenas corpo. Somos mente e espírito, sentimentos e movimentos.
E, embora o corpo fale, devemos sempre ouvir a pessoa como um todo.
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