AVALIE SUAS HABILIDADES PARA SE EXPRESSAR
por Kátia S. R. Bianchi - Fonoaudióloga - CRFO - 3ª 5514/SC

katiabianchi.orgone@gmail.com


Expressar-se bem é essencial para as negociações: compreender a produção da própria fala é um alerta para a sua auto-avaliação. 

Não são raros os artigos que trazem dicas de como se comunicar em reuniões e negociações de qualquer natureza. Os autores recomendam: tenha uma boa expressão verbal, use vocabulário adequado, preste atenção aos sinais e comportamento do interlocutor, conheça o mercado e o produto ou serviço que está em negociação.

As dicas acima são frequentemente divulgadas e consideradas importantes para transações de negócios no segmento empresarial. Entretanto, gostaria de chamar a atenção aqui para algumas funções do organismo humano que contribuem para que seja possível colocar em prática tais recomendações. Por exemplo, você já parou para prestar atenção em como seu corpo funciona para produzir a fala? E nos momentos de negociar, como ele reage? Pois é a partir desta observação que poderá conferir se as condições de seu organismo facilitam ou dificultam sua comunicação na vida pessoal e profissional.  Conforme é produzida a nossa fala, podemos passar aos interlocutores imagens equivocadas do que somos, como evidências de nervosismo, ansiedade ou desleixo.

Uma das funções vitais do organismo é a respiração. Sem ela não há vida. Porém, raramente lembramos de nossa respiração, uma vez que acontece automática e espontaneamente. Pessoas que respiram pela boca ou superficialmente apresentam a fala entrecortada, uso de ar de reserva (o finalzinho do ar dos pulmões), ficam ofegantes para falar, a inspiração e a expiração podem ficar ruidosas, atrapalhando o discurso. Quem está ouvindo uma fala assim pode ter sensação de apreensão, ansiedade e afobação. Estes sinais podem indicar problemas respiratórios, cujas causas são habituais, alérgicas ou inflamatórias (rinites, amigdalites, faringites, laringites, sinusites) e ainda orgânicas, como alterações no nariz e cavidades próximas a ele.

É por meio da respiração que conseguimos produzir a voz, que é o som da fala. Pela voz, em geral, é possível diferenciar crianças, adultos e idosos; bem como homens e mulheres. As queixas mais comuns nesta função são: a rouquidão, a instabilidade vocal (alternância da voz de mais fina para mais grossa e vice-versa) e a afonia (perda da voz). Há vários fatores que podem originá-las, como o uso vocal indevido (forçar a voz), doenças do sistema respiratório e até mesmo câncer de laringe (especialmente para os fumantes). Para quem ouve vozes assim, a sensação pode ser de nervosismo, medo e insegurança.

Outra função orgânica importante é a articulação, resultante do ar que vem dos pulmões, em forma de voz, e é modificado pelos articuladores (lábios, língua, dentes, bochechas e outros). Esta é uma função que desenvolvemos desde bebês e sofre influência da respiração, da mastigação, assim como da freqüência e duração de hábitos orais (chupeta, mamadeira, chupar o dedo, morder objetos). Cada som da língua que falamos deve ser realizado com os articuladores dispostos em determinadas posições. Entretanto, por exemplo, se apresentarmos alteração nas arcadas dentárias (espaço ou cruzamento entre maxila e mandíbula na mordida, falta de dentes), a língua poderá se posicionar entre os dentes, o que fica visível na fala. O som do “r” (“cara”) é outro que sofre distorções com freqüência, sendo produzido, com a parte de trás da língua, em vez da ponta, como seria o esperado. Esta fala pode ser percebida como desleixo, por não ter sido tratada, e ainda causar dispersão dos ouvintes, pela poluição (sons indesejáveis) no conteúdo.

Finalmente, a audição, que é outra função de destaque na comunicação. Quem ouve pouco, fala mais alto, entende mal o que foi dito, perde pistas importantes na fala do outro, como mudanças na entonação e ritmo. As perdas auditivas têm causas orgânicas, evolutivas ou familiares. Aos interlocutores de quem apresenta estas perdas, é passada a imagem de distração e pouco caso na negociação, ou ainda de agressividade quando o volume de voz é aumentado.

Após a análise do desempenho de cada uma destas funções, faça uma auto-avaliação como falante, pois já sabe de alguns fatores que podem atrapalhar na hora do diálogo. Caso você não tenha encontrado nenhum problema, mantenha um controle de sua saúde, prevenindo futuros aborrecimentos. Mas se encontrou elementos causadores de perturbações em sua fala, procure os profissionais da saúde. Alguns profissionais que podem ajudá-lo são o otorrinolaringologista, alergista, cirurgião dentista/ortodontista e o fonoaudiólogo.