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Expressar-se bem é essencial para as negociações: compreender a
produção da própria fala é um alerta para a sua auto-avaliação.
Não são raros os artigos que trazem dicas de como se comunicar
em reuniões e negociações de qualquer natureza. Os autores
recomendam: tenha uma boa expressão verbal, use vocabulário
adequado, preste atenção aos sinais e comportamento do
interlocutor, conheça o mercado e o produto ou serviço que está
em negociação.
As dicas acima são frequentemente divulgadas e consideradas
importantes para transações de negócios no segmento empresarial.
Entretanto, gostaria de chamar a atenção aqui para algumas
funções do organismo humano que contribuem para que seja
possível colocar em prática tais recomendações. Por
exemplo, você já parou para prestar atenção em como seu
corpo funciona para produzir a fala? E nos momentos de negociar,
como ele reage? Pois é a partir desta observação que poderá
conferir se as condições de seu organismo facilitam ou
dificultam sua comunicação na vida pessoal e profissional.
Conforme é produzida a nossa fala, podemos passar aos
interlocutores imagens equivocadas do que somos, como evidências
de nervosismo, ansiedade ou desleixo.
Uma das funções vitais do organismo é a respiração.
Sem ela não há vida. Porém, raramente lembramos de nossa
respiração, uma vez que acontece automática e espontaneamente.
Pessoas que respiram pela boca ou superficialmente apresentam a
fala entrecortada, uso de ar de reserva (o finalzinho do ar dos
pulmões), ficam ofegantes para falar, a inspiração e a expiração
podem ficar ruidosas, atrapalhando o discurso. Quem está ouvindo
uma fala assim pode ter sensação de apreensão, ansiedade e
afobação. Estes sinais podem indicar
problemas respiratórios, cujas causas são habituais,
alérgicas ou inflamatórias (rinites, amigdalites, faringites,
laringites, sinusites) e ainda orgânicas, como alterações no
nariz e cavidades próximas a ele.
É por meio da respiração que conseguimos produzir a voz,
que é o som da fala. Pela voz, em geral, é possível diferenciar
crianças, adultos e idosos; bem como homens e mulheres. As
queixas mais comuns nesta função são: a rouquidão, a
instabilidade vocal (alternância da voz de mais fina para mais
grossa e vice-versa) e a afonia (perda da voz). Há vários
fatores que podem originá-las, como o uso vocal indevido (forçar
a voz), doenças do sistema respiratório e até mesmo câncer de
laringe (especialmente para os fumantes). Para quem ouve vozes
assim, a sensação pode ser de nervosismo, medo e insegurança.
Outra função orgânica importante é a articulação,
resultante do ar que vem dos pulmões, em forma de voz, e é
modificado pelos articuladores (lábios, língua, dentes,
bochechas e outros). Esta é uma função que desenvolvemos desde
bebês e sofre influência da respiração, da mastigação, assim
como da freqüência e duração de hábitos orais (chupeta,
mamadeira, chupar o dedo, morder objetos). Cada som da língua
que falamos deve ser realizado com os articuladores dispostos em
determinadas posições. Entretanto, por exemplo, se apresentarmos
alteração nas arcadas dentárias (espaço ou cruzamento entre
maxila e mandíbula na mordida, falta de dentes), a língua poderá
se posicionar entre os dentes, o que fica visível na fala. O som
do “r” (“cara”) é outro que sofre distorções com freqüência,
sendo produzido, com a parte de trás da língua, em vez da ponta,
como seria o esperado. Esta fala pode ser percebida como
desleixo, por não ter sido tratada, e ainda causar dispersão dos
ouvintes, pela poluição (sons indesejáveis) no conteúdo.
Finalmente, a audição, que é outra função de destaque na
comunicação. Quem ouve pouco, fala mais alto, entende mal o que
foi dito, perde pistas importantes na fala do outro, como
mudanças na entonação e ritmo. As perdas auditivas têm causas
orgânicas, evolutivas ou familiares. Aos interlocutores de quem
apresenta estas perdas, é passada a imagem de distração e pouco
caso na negociação, ou ainda de agressividade quando o volume de
voz é aumentado.
Após a análise do desempenho de cada uma destas funções, faça
uma auto-avaliação como falante, pois já sabe de alguns fatores
que podem atrapalhar na hora do diálogo. Caso você não tenha
encontrado nenhum problema, mantenha um controle de sua saúde,
prevenindo futuros aborrecimentos. Mas se encontrou elementos
causadores de perturbações em sua fala, procure os profissionais
da saúde. Alguns profissionais que podem ajudá-lo são o
otorrinolaringologista, alergista, cirurgião
dentista/ortodontista e o fonoaudiólogo.
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