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“A única
coisa que devemos temer é o medo em si, um terror sem nome e sem
razão,
que paralisa os esforços necessários para converter a fuga em
avanço.”
Franklin D. Roosevelt (no seu primeiro discurso
inaugural presidencial, 4 de março 1933)
“Aquilo que
tememos acontece mais rapidamente do que aquilo que esperamos”.
Publius Syrus -
Ditados Morais
(10 século
antes de Cristo)
“A solidão me assusta. Me faz pensar no amor, na guerra e na
morte.
Preciso me afastar dos pensamentos escuros e ansiosos”.
Brigitte Bardot
“A coragem não é a ausência do medo e sim a capacidade de
enfrenta-lo”.
Ten. John B. Putnam Jr.
(1921-1944)
Introdução
“Eu morro de medo de voar e nunca mais quero entrar num avião.
Quando tenho que fazer uma viagem aérea, geralmente começo a
sentir pavor um mês antes da partida. Quando fecha a porta da
aeronave eu me sinto encarcerada. Meu coração começa a bater e eu
começo a suar copiosamente. Na decolagem, ficava mais forte ainda
a sensação de que eu não tinha escapatória. Só de pensar em voar
me imagino perdendo o controle, enlouquecendo, me jogando contra
as paredes do avião, mas é claro que nunca fiz isso. Meu medo não
é de que o avião caia ou entre em turbulência, é mais aquela
sensação de não ter uma fuga. Isso me prejudica muito, pois
escolho empregos onde voar não é necessário. Só vou onde eu possa
ir de carro ou ônibus. Meus amigos me dizem que também não posso
saltar de um carro ou ônibus em movimento, mas isso não faz
diferença; é mesmo um medo irracional”.
Medo e
Ansiedade
De acordo
com o dicionário Merriam-Webster, ter medo é guardar uma
expectativa negativa daquilo que está para acontecer, um
sentimento de preocupação ante a noção de um perigo real ou
imaginário. A ansiedade é uma preocupação mais aguda, que se
expressa por uma intensa sensação de apreensão e medo juntamente
com a dúvida com respeito à realidade e natureza da ameaça, como
também sobre nossa capacidade de lidar com esse perigo iminente.
Ocasionalmente, a ansiedade pode se juntar a uma determinação em
vencer o obstáculo e a isso chamamos de coragem. Dessa forma, o
medo pode tanto nos paralisar quanto impulsionar. Medo, ansiedade
e coragem são manifestações psíquicas, encontradas em situações
normais de frustração e perigo. O sentimento de medo, acompanhado
pela ansiedade e outros sentimentos como temor, receio, desamparo,
abandono e rejeição, constitui um dos comportamentos mais antigos
do homem. Algumas vezes o medo surge simplesmente porque algo que
não esperamos ou compreendemos invade nossa consciência, como
quando uma porta bate subitamente ou uma voz aparece aparentemente
do nada. É por isso que uma explicação convincente nos traz uma
paz maior do que qualquer medicamento. O medo surge quando nosso
débil senso de ordem é rasgado pelo sempre presente mistério da
tirania indiferente do caos, a única coisa com que realmente
podemos contar. Como todo bom mistério, é assentado no paradoxo,
pois às vezes é o próprio medo que nos faz crescer. Para Miranda –
Sá Jr (2001)1 :
“A
consciência do
objeto do medo é convencionado como sendo o fator diferencial
mais importante para o diagnóstico dos estados de ansiedade
patológica, pois o medo é uma das características cardeais da
humanidade. Suas formas mais conhecidas são o medo da morte, do
sofrimento, da penúria, da vergonha e da culpa.”
Fobia
A palavra fobia deriva de Phobos, deusa grega do medo, é o
medo patológico, focalizada em objetos ou situações que podem ser
consideradas inofensivas por outras pessoas e que persiste mesmo
depois que o paciente se dá conta da irracionalidade de seu medo.
Dessa forma, a distinção entre o medo e a fobia não é quantitativa
e sim qualitativa. Nesses casos, a ansiedade acompanhante deixa de
ser normal e passa a ser uma ansiedade patológica. Veremos
mais adiante que a fobia se estrutura em torno de um funcionamento
neurobiológico anormal, sendo acompanhante de alguns distúrbios da
mente, com alterações estruturais e neuroquímicas próprias. É
caracterizada por um desejo intenso de evitar o estressor. Em
alguns casos pode existir também uma incapacidade funcional.
A fobia é
acompanhada, na maioria das vezes, pela ansiedade patológica. A
angústia seria a ansiedade acompanhada por manifestações
corporais, como sensação de constrição torácica, aperto na
garganta, dispnéia, tonturas, palpitações, tremores e náuseas.
Quando esse quadro é particularmente intenso e acompanhado por
desrealização, despersonalização, medo de morrer ou enlouquecer,
adota-se o termo pânico.
Em resumo:
uma reação normal perante um estressor seria o medo acompanhado
pela ansiedade, enquanto o medo acompanhado por ansiedade
patológica e angústia constituem uma reação fóbica, que
pode acompanhar outros distúrbios da ansiedade como: transtorno do
pânico (com ou sem agorafobia), fobia social, transtorno de
estresse agudo, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno
obsessivo-compulsivo e transtorno de ansiedade generalizada.
Quando a reação fóbica dirige-se a um único estressor como
alturas, aranhas, animais etc, é chamada de fobia
especifica.
Diagnóstico
O DSM-V2
estabelece os seguintes critérios para a fobia especifica:
“A característica essencial da Fobia Específica é o medo acentuado
e persistente de objetos ou situações claramente discerníveis e
circunscritos (Critério A). A exposição ao estímulo fóbico
provoca, quase que invariavelmente, imediata resposta de ansiedade
(Critério B). Esta resposta pode assumir a forma de um Ataque de
Pânico, ligado ou predisposto pela situação. Embora adolescentes e
adultos com o transtorno reconheçam que seu temor é excessivo ou
irracional (Critério C), o mesmo pode não ocorrer com crianças.
Com maior
freqüência, o estímulo fóbico é evitado, embora às vezes seja
suportado com pavor (Critério D). O diagnóstico é apropriado
apenas se a esquiva, o medo ou a antecipação ansiosa do encontro
com o estímulo fóbico interferem significativamente na rotina
diária, funcionamento ocupacional ou vida social do indivíduo, ou
se ele sofre acentuadamente por ter a fobia (Critério E).
Em
indivíduos menores de 18 anos, os sintomas devem ter persistido
por pelo menos 6 meses antes da Fobia Específica ser diagnosticada
(Critério F). Ansiedade, ataques de pânico ou esquiva fóbica não
são melhor explicados por um outro transtorno mental (por ex.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse
Pós-Traumático, Transtorno de Ansiedade de Separação, Fobia
Social, Transtorno de Pânico Com Agorafobia ou Agorafobia Sem
História de Transtorno de Pânico) (Critério G).
O indivíduo
experimenta um medo acentuado, persistente e excessivo ou
irracional na presença ou previsão do encontro com determinado
objeto ou situação. O foco do medo pode envolver a previsão de um
dano causado por algum aspecto do objeto ou situação (um indivíduo
pode temer viagens aéreas em razão de sua preocupação com quedas,
temer cães por preocupação em ser mordido, ou ter medo de dirigir
por preocupação envolvendo colisão com outros veículos na
estrada).
As Fobias
Específicas também podem envolver preocupações acerca de perder o
controle, entrar em pânico e desmaiar, ante a exposição ao objeto
temido. Por exemplo, os indivíduos que temem sangue e ferimentos
podem também se preocupar com a possibilidade de desmaiar, e
pessoas que temem situações em ambientes fechados podem também se
preocupar acerca de perder o controle e gritar. A ansiedade é
sentida quase sempre imediatamente ao confronto com o estímulo
fóbico (uma pessoa com uma Fobia Específica a gatos quase que
invariavelmente terá uma resposta imediata de ansiedade, quando
forçada a se defrontar com um gato).
O nível de
ansiedade ou medo geralmente varia em função do grau de
proximidade com o estímulo fóbico (o medo intensifica-se enquanto
o gato aproxima-se e diminui quando o animal se afasta) e da
possibilidade de fugir ao estímulo fóbico (o medo intensifica-se
enquanto o elevador chega ao ponto intermediário entre os andares
e diminui quando as portas são abertas no piso seguinte).
Entretanto, a intensidade do temor nem sempre tem uma relação
previsível com o estímulo fóbico (uma pessoa que tem medo de
alturas pode experimentar um temor de intensidade variável ao
cruzar a mesma ponte em diferentes ocasiões). Às vezes, ataques de
pânico completos são experimentados em resposta ao estímulo fóbico,
especialmente quando a pessoa precisa permanecer na situação ou
acredita que o escape seja impossível. Como ocorre uma ansiedade
antecipatória acentuada quando o indivíduo se defronta com a
necessidade de ingressar na situação fóbica, tais situações em
geral são evitadas. Com menor freqüência, a pessoa força-se a
suportar a situação fóbica, que é vivenciada com intensa
ansiedade.
Os adultos
com este transtorno reconhecem o caráter excessivo ou irracional
da fobia. O diagnóstico deve ser de Transtorno Delirante, ao invés
de Fobia Específica, no caso de um indivíduo que evita um elevador
em vista de sua convicção de que este foi sabotado e que não
reconhece o caráter excessivo ou irracional de seu medo. Além
disso, o diagnóstico não se aplica se o medo é razoável, dado o
contexto dos estímulos (medo de ser atingido por um tiro em uma
área de caça ou vizinhança perigosa). O discernimento para a
natureza excessiva ou irracional do medo tende a aumentar com a
idade e não é exigido para o diagnóstico em crianças.
O medo de
objetos ou situações circunscritas é muito comum, especialmente em
crianças, mas em muitos casos o grau de prejuízo é insuficiente
para indicar o diagnóstico. Este não é feito se a fobia não
interfere significativamente no funcionamento do indivíduo ou não
causa sofrimento acentuado. Por exemplo, uma pessoa que tem medo
de cobras, a ponto de expressar intenso temor na presença delas
não recebe um diagnóstico de Fobia Específica se mora em uma área
onde não existem cobras, não sofre por ter medo de cobras e se o
medo não restringe suas atividades.”
Tipos
Primeiramente, é necessário estabelecer uma diferença entre manias
e fobias: As manias são desordens mentais que podem
se manifestar pela repetição impulsiva de atos esquisitos como: a
mania de cuspir repetidamente, a mania da perseguição em que o
indivíduo se sente freqüentemente perseguido por intenções e atos
dos que o rodeiam; a mania das limpezas que podem conduzir a uma
fobia escravizante. Há pessoas que vivem mortificadas limpando,
limpando o que muitas vezes está limpo, vendo sujidade
insuportável na menor poeira. Existe ainda a mania de limpar as
maçanetas das portas que leva à fobia dos micróbios e doenças por
eles produzidas (nosofobias). É bom salientar que as
manias, quando muito agravadas, podem tornar-se obsessões
fóbicas.
A mania das
limpezas conduz a pessoa ao extremo por mais cansada que esteja,
ou seja, não deita para descansar, porque não consegue dormir sem
limpar o que a sua mente doente considera menos limpo e sem
cumprir os afazeres a que se propôs como necessários ao dia de
trabalho doméstico. Limpam e arrumam constantemente numa ansiedade
sem tréguas.
Segundo
vários psicanalistas e após investigações profundas neste sentido,
não é o exterior que está sujo, mas as profundezas da mente.
Limpam afanosamente o exterior, porque na realidade desejam
desesperadamente limpar o interior. Pessoas que têm a mania de
constantemente pretender mudar o "visual", e pouco depois já não
se sentem confortáveis e vão comprar roupas, mudar o penteado,
transformar, quando a nível inconsciente há uma ansiosa e premente
reclamação duma mudança e transformação interior. Outras mudam os
móveis da casa numa canseira de encontrar o equilíbrio e a
estética que procuram; a mudança e a estética que
inconscientemente reclamam é no Eu interior. Não se encontram, há
uma desorientação profunda na atividade psíquica de que não têm
consciência.
As manias
podem, em casos limites, levar a certas formas de psicose que são
designadas por maníaco-depressivos. Tanto as manias como as
fobias são angustiantemente escravizantes.
Existe uma
variedade enorme de fobias especificas diferentes. O Internet
Mental Health3 propõe, como elemento facilitador,
cinco subtipos onde todos podem ser encaixados:
1. Tipo Animal (ex:
zoofobia, aracnofobia, etc.)
2.
Tipo ambiente natural (ex:
alturas, tempestades, água, etc.)
3.
Tipo sangue-Injecões-ferimentos
4.
Tipo situacional (ex: aviões,
elevadores, lugares fechados, etc.)
5. Outros
tipos (ex: engasgamento, vômito, doenças, ruídos altos, etc)
Existe um glossário
de fobias muito útil
no seguinte endereço:
http://www.psicologia.org.br/internacional/gloss.htm
Epidemiologia
Dados do
National Institute of Mental Health indicam que as fobias
constituem a doença psiquiátrica mais comum entre as mulheres
americanas de todas as idades, sendo a segunda doença mais comum
entre homens acima de 25 anos. A incidência geral é de 5,1% a
12,5%.
Evolução
O DSM-IV descreve o seguinte curso clínico para as fobias
especificas:
A idade
média de início varia de acordo com o tipo de Fobia Específica. A
idade de início para a Fobia Específica, Tipo Situacional, tende a
uma distribuição bimodal, com um pico na infância e um segundo
pico na metade da casa dos 20 anos. As Fobias Específicas, Tipo
Ambiente Natural (ex. fobia de alturas), tendem principalmente a
começar na infância, embora muitos novos casos de fobia de alturas
desenvolvam-se no início da idade adulta. As idades de início para
Fobias Específicas, Tipo Animal, e Fobias Específicas, Tipo
Sangue-Injeção-Ferimentos, também se situam geralmente na
infância. Os fatores predisponentes para o início de Fobias
Específicas incluem eventos traumáticos (tais como ser atacado por
um animal ou ficar preso em um armário).
Ataques de
Pânico inesperados na situação futuramente temida, observação de
outros sofrendo traumas ou demonstrando temor (tal como observar
outros caindo de alturas ou demonstrando medo frente a animais) e
transmissão de informações (ex. alertas parentais repetidos sobre
os perigos de certos animais ou cobertura de acidentes aéreos
pelos meios de comunicação).
Os objetos
ou situações temidos tendem a envolver coisas que realmente podem
representar uma ameaça ou ter representado uma ameaça em algum
momento no curso da evolução humana. As fobias resultantes de
eventos traumáticos ou de Ataques de Pânico inesperados tendem a
um desenvolvimento particularmente agudo. As fobias de origem
traumática não têm uma idade característica de início (ex. o medo
de sufocar, que geralmente se segue a um incidente de asfixia ou
quase-asfixia, pode desenvolver-se em quase qualquer idade). As
fobias que persistem na idade adulta raramente apresentam remissão
(em torno de 20% dos casos).
Esses dados
foram ampliados mais recentemente pelos estudos de Tocharoen et al
(2000)4, num estudo longitudinal de doenças fóbicas à
medida que jovens evoluem até a adolescência tardia. Foram
definidos três níveis de fobias: clinica, subsindrômica e
subliminar, com prevalências de 0.40%, 1.34% e 5.74%
respectivamente, mostrando que a forma subliminar era a mais
comum. Esses dados combinam com a incidência geral que foi de
0.28% para a forma clínica, 0.19% para a forma subsindrômica e
4.63% para a forma subliminar. Os dados para a adolescência tardia
revelaram uma forte tendência para remissão de sintomas fóbicos.
O tipo mais
comum de fobia a específica, com a sugestão de que esse tipo
começa mais cedo, tem uma prevalência maior e são mais freqüentes
com a passagem do tempo do que a fobia social e agorafobia.
Maes et al
(2000)5 examinaram a comorbidade e fatores de risco em
relação a TEPT depois de eventos traumáticos, como incêndio e
acidentes de trânsito, com coleta de dados 7-9 meses depois do
evento traumático. A ocorrência de fobias específicas foi baixa,
em torno de 2%, juntamente com transtorno do pânico e transtorno
obsessivo-compulsivo
As
comorbidades mais comuns que ocorrem com TEPT causadas por
incêndio e acidentes de trânsito foram transtorno depressivo maior
(26.2%), transtorno de ansiedade generalizada (24.6%) e agorafobia
(21%). Esses dados confirmam que fobias específicas são mais
comuns depois de traumas específicos.
Fisiopatologia
Rauch et al
(1997)6 estudaram o fluxo regional cerebral (rCBF) em
23 pacientes apresentando transtorno obsessivo-compulsivo, fobia
específica ou transtorno de estresse pos-traumático. Foi
encontrada uma ativação do fluxo sanguíneo em córtex (região
frontal inferior direita, região órbito-frontal póstero-medial
direita, região insular bilateral e núcleo lenticular bilateral) e
tronco cerebral em comparação a um grupo controle. O paciente com
alteração do rCBF em tronco cerebral apresentava elevado grau de
ansiedade. Esse estudo indica que o aumento do rCBF foi comum a
essas três modalidades de ansiedade.
Apesar de
que estudos neuroanatômicos mostram que áreas cerebrais podem ser
comuns a vários tipos de ansiedade, o padrão de resposta simpática
pode revelar alguma especificidade. Uma ativação emocional aguda,
irrespectivo do estado emocional, aumenta a atividade simpática.
No entanto,
a magnitude da resposta depende de fatores constitucionais e
hereditários, algumas pessoas sendo mais sensíveis ao stress do
que outras, podendo apresentar respostas mais intensas de
indivíduo para indivíduo, com estímulos menores. Além da resposta
ser mais ou menos intensa, a consciência subjetiva também pode
variar de uma pessoa para outra, estando o paciente mais focado em
um determinado sistema, como o cardiovascular ou gastrintestinal.
Nessas situações, o estado fisiológico tem um papel importante,
como é o caso da ansiedade.
Pessoas não
ansiosas têm a tendência de mostrar respostas simpáticas mais
flexíveis, isto é, podem apresentar respostas extremamente fortes
para estressores, mas retornam a níveis autonômicos basais com
mais facilidade, habituando-se melhor do que as pessoas ansiosas.
Dessa forma, algumas pessoas ansiosas mostram um estado de
ativação simpática maior em estado basal, quando o estressor é
fraco ou ausente. Hoehn-Saric et al (1988)7 mostraram
que durante períodos de repouso, pacientes com fobia social e
transtorno do pânico tendem a ter ativação simpática, ao contrário
do que se vê na fobia específica. Além do mais, existe um padrão
diferenciado de resposta muscular e autonômica para diferentes
tipos de ansiedade: pacientes com transtorno da ansiedade
generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo mostram aumento da
tensão muscular sem ativação simpática, mostrando algum tipo de
inibição da resposta autonômica para a fobia simples, transtorno
da ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo.
Tratamento
Como já
foram mencionadas acima, as fobias específicas que iniciam na
infância possuem um alto grau de remissão espontânea, exceto
aquelas com início traumático ou aquelas associadas com ataques de
pânico. As fobias com início na idade adulta possuem um
prognóstico pior, com apenas 20% de remissão espontânea.
O tratamento
das fobias específicas envolve:
·
Tratamento
por exposição;
· Dessensibilização;
·
Medicação.
Exposição e Dessensibilização Progressiva
A maior
parte dos estudos sobre o tratamento das fobias específicas mostra
que o tratamento por exposição, elaborada por Foa e Kozak,
em 1986, traz os melhores resultados. Esta forma de tratamento
também se mostrou eficaz para outras formas de ansiedade, como
transtorno obsessivo-compulsivo. Nessa abordagem, o paciente é
exposto ao estímulo fóbico. Esta técnica está baseada num preceito
behaviorístico clássico de que a fobia é um reflexo condicionado,
adquirido para estímulos não perigosos (isto não está de acordo
com as fobias adquiridas por traumas verdadeiros como, por
exemplo, ter sido mesmo mordido por um cachorro). Nos casos,
porém, onde não houve um início traumático, que é mais comum, o
medo que se teria para cobra venenosas por exemplo, seria
generalizado para cobra não venenosa. Se, então um paciente com
herpetofobia for exposto repetidas vezes a cobra não venenosa, a
fobia eventualmente se dissipará. Nos casos onde a exposição real
ao estimulo fóbico é difícil ou impossível, a criação de imagens
mentais ou até vídeos e mais modernamente, através da realidade
virtual, introduzida por Rothbaum em 1995, podem ser usadas. Uma
variante mais drástica seria através da técnica de “flooding”,
ou avassalamento, onde um estímulo fóbico é apresentado de uma só
vez e de maneira persistente, até que a fobia dissipe.
Uma outra
forma ainda seria através do contra-condicionamento, elaborada por
Watson, em 1924, onde uma resposta fóbica é substituída por
relaxamento, através da sugestão e técnicas respiratórias.
Wolpe, em
1956, ampliou esse conceito, fazendo um contra-condicionamento
progressivo chamado de dessensibilização sistemática, que
envolve 3 etapas básicas: (1) treinando o paciente a relaxar-se
fisicamente, (2) estabelecendo uma hierarquia de ansiedade em
relação ao estímulo fóbico e (3) contra-condicionando o
relaxamento como uma resposta ao estímulo temido, iniciando com o
elemento mais baixo na hierarquia de ansiedade até se chegar ao
ponto mais alto dessa hierarquia previamente estabelecida em (2).
Medicamentos
Não existe,
até o momento, uma linha de farmacoterapia específica para fobias
específicas, apesar de haverem relatos ainda não comprovados com
inibidores de recaptação da serotonina como a Paroxetina, que
podem ajudar em alguns casos. Na maior parte das vezes, a
estratégia farmacoterapêutica mais útil tem sido o uso dos
benzodiazepínicos, principalmente aqueles de curta ação, como o
alprazolam e clonazepam, que podem ter valor para diminuir a
ansiedade antecipatória em pessoas com fobias específicas.
Resumo
Uma reação
normal perante um estressor seria o medo acompanhado pela
ansiedade, enquanto o medo acompanhado por ansiedade patológica e
angústia constituem uma reação fóbica. Quando a reação
fóbica dirige-se a um único estressor como alturas, aranhas,
animais, etc, é chamada de fobia especifica.
Existe uma
variedade enorme de fobias especificas diferentes. O Internet
Mental Health3 propõe, como elemento facilitador,
cinco subtipos onde todos podem ser encaixados:
1. Tipo Animal (ex: zoofobia, aracnofobia, etc.)
2.
Tipo ambiente natural (ex:
alturas, tempestades, água, etc.)
3.
Tipo sangue-injeções-Ferimentos
4.
Tipo situacional (ex: aviões,
elevadores, lugares fechados, etc.)
5.
Outros tipos (ex: engasgamento,
vômito, doenças, ruídos altos, etc)
O DSM-V2
estabelece os seguintes critérios para a fobia especifica:
·
O medo
acentuado e persistente de objetos ou situações claramente
discerníveis e circunscritos
· A exposição
ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, imediata
resposta de ansiedade
· Esta
resposta pode assumir a forma de um Ataque de Pânico, ligado ou
predisposto pela situação
· Com maior
freqüência, o estímulo fóbico é evitado, embora às vezes seja
suportado com pavor
· O
diagnóstico é apropriado apenas se a esquiva, o medo ou a
antecipação ansiosa do encontro com o estímulo fóbico interferem
significativamente na rotina diária, funcionamento ocupacional ou
vida social do indivíduo, ou se ele sofre acentuadamente por ter a
fobia
·
Em
indivíduos com menos de 18 anos, os sintomas devem ter persistido
por pelo menos 6 meses antes de a Fobia Específica ser
diagnosticada
· Ansiedade,
Ataques de Pânico ou esquiva fóbica não são melhor explicados por
um outro transtorno mental (ex.Transtorno Obsessivo-Compulsivo,
Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Ansiedade de
Separação, Fobia Social, Transtorno de Pânico com Agorafobia ou
Agorafobia sem História de Transtorno de Pânico)
A idade
média de início varia de acordo com o tipo de Fobia Específica, a
maior parte tendo início na infância. Em indivíduos com menos de
18 anos, os sintomas devem ter persistido por pelo menos 6 meses
antes de a Fobia Específica ser diagnosticada.
As fobias
resultantes de eventos traumáticos ou de Ataques de Pânico
inesperados tendem a um desenvolvimento particularmente agudo. As
fobias de origem traumática não têm uma idade característica de
início. As fobias que persistem na idade adulta raramente
apresentam remissão (em torno de 20% dos casos).
O aumento do
rCBF foi observado no transtorno obsessivo-compulsivo, fobia
específica ou transtorno de estresse pos-traumático. Foi
encontrada uma ativação do fluxo sanguíneo em córtex (região
frontal inferior direita, região órbito-frontal póstero-medial
direita, região insular bilateral e núcleo lenticular bilateral) e
tronco cerebral.
Apesar
de que estudos neuroanatômicos mostram que áreas cerebrais podem
ser comuns a vários tipos de ansiedade, o padrão de resposta
simpática pode revelar alguma especificidade.
Bibliografia
1-
Luiz Salvador Miranda-Sá Jr. Compêndio de Psicopatologia e
Semiologia Psiquiátrica, Pg.219. Artmed Editora Ltda , 2001.
2-
DSM-IV
http://www.psiqweb.med.br/dsm/dsm.html
3- Internet
Mental Health
http://www.mentalhealth.com/
4- Tocharoen
A, Garrison C, McKeown R, Waller J, Jackson K, Addy C, Shoob H.
The longitudinal study of phobic disorder in a community
sample from early to late adoslescence.
Ann
Epidemiol, 2000, Oct 1; 10 (7):483.
5- Maes
M, Mylle J, Delmeire L, Altamura C. Psychiatric morbidity and
comorbidity following accidental man-made traqumatic
events: incidence and risk factors.
Eur Arch
Psychiatry Clin Neurosci, 2000; 250 (3):156-62.
6- Rauch
SL, Savage CR, Alpert NM, Fishman AJ, Jenike MA. The functional
Neuroanatomy of anxiety: a study of three disorders using
positron emission tomography and symptom provocation.
Biol
Psychiatry, 1997 Sep 15; 42 (6):446-52.
7- Hoehn-Saric
R, McLeod DR. The peripheral sympathetic nervous system. Its
role in normal and patholgic anxiety. Psychiatr
Clin North Am, 1988, Jun; 11 (2): 375-86.
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