Figura 5:
Circuitos Centrais da Serotonina Para ver uma animação sobre a serotonina clique no site indicado e depois em: Serotonin location, synthesis and release. http://www.brainexplorer.org/video/index.shtml - Noradrenaline
Receptores
Serotoninérgicos
Figura 6: Receptores pré e pós-sinápticos
Tipos e Sub-tiposNeurônios que secretam 5-HT são chamados de serotoninérgicos. Logo depois de sua liberação, o 5-HT é recaptado pelo neurônio serotoninérgico por uma proteína transportadora.
A
função da serotonina é exercida pela sua interação com receptores
específicos. Sete tipos específicos de receptores já foram
clonados. Desses sete tipos, vários sub-tipos foram discriminados:
Essa família de receptores é encontrada principalmente no hipocampo, amígdala, córtex entorinal, hipotálamo e núcleos da ráfia, pertencendo, na sua maior parte, ao sistema límbico.
5-HT1A pós-sináptico O receptor 5-HT1A pós-sináptico se localiza no botão pós-sináptico estando acoplado a proteínas G, formando dois sistemas efetores distintos: (1) inibição da atividade da adenilciclase, com inibição neuronal (a adenilciclase estimula os processos de liberação de energia essenciais para a atividade celular), e (2) na abertura de canais de K+ que resulta em hiperpolarização neuronal e inibição neuronal (uma célula hiperpolarizada é mais difícil de despolarizar). No hipocampo, os receptores 5-HT1A pós-sinápticos operam usando ambos os sistemas, ao passo que nos núcleos da ráfia, esses receptores operam apenas por abertura dos canais de K+. Em condições normais, esses receptores inibitórios, quando estimulados, ajudam a enviar sinais dos neurônios serotoninérgicos para outros neurônios , ajudando também na regulação da temperatura.
5-HT1A pré-sináptico Os receptores 5-HT1A pré-sinápticos são auto-receptores localizados no corpo celular e nos dendritos sendo, portanto, chamados de auto-receptores somatodendríticos. Atuam através da detecção da presença de 5-HT, com os quais eles se acoplam, ocasionando a interrupção do fluxo de impulsos neuronais dos neurônios 5-HT com conseqüente diminuição da liberação de serotonina. Existe, portanto, um circuito de feedback, (retroalimentação), entre a região somatodendrítica e sináptica: quando existe uma diminuição de 5-HT na região somatodendrítica, menos receptores 5-HT1A pré-sinápticos se acoplam ao 5-HT, causando um aumento do fluxo axonal, que resulta numa liberação maior de 5-HT da região pré-sináptica. Por outro lado, quando há um excesso de 5-HT, um número maior de receptores 5-HT1A pré-sinápticos podem acoplar-se ao 5-HT, diminuindo assim a liberação de serotonina. Quando ele é bloqueado pelos ISRS, existe aumento da liberação de 5-HT, com melhora dos sintomas de depressão, comportamento obsessivo-compulsivo, ataques de pânico, fobia social e bulimia.
Figura 7: Mecanismo de ação dos auto-receptores pré-sinápticos
Esse “feedback” entre a região somatodendrítica e sináptica constitui um mecanismo de auto-regulação da liberação de serotonina pelas vesículas sinápticas, sendo por esse motivo que os receptores 5-HT1A pré-sinápticos são chamados de auto-receptores somatodendríticos.
5-HT1D pré-sináptico Os receptores 5-HT1D, com os sub-tipos α e β, se encontram na substância negra, gânglios da base e colículo superior. Esses receptores pré-sinápticos terminais operam exclusivamente através da inibição da adenilciclase, sendo, portanto, de natureza inibitória. O receptor 5-HT1D pré-sináptico também é um tipo de auto-receptor, mas que se localiza no terminal do axônio pré-sináptico, sendo, portanto, denominado auto-receptor terminal. Se o auto-receptor 5-HT1D é estimulado (acoplado ao 5-HT), existe um bloqueio da liberação de serotonina. Quando ele é estimulado, ocorre ação anti-enxaqueca.
Hipótese Serotonérgica da Depressão Na depressão ocorre uma diminuição relativa da quantidade de 5-HT (talvez por excesso de destruição desse neurotransmissor pela MAO). Ademais, ocorre um aumento do número de receptores 5-HT1A pré e pós-sinápticos, verificado como um aumento da densidade desses receptores em determinadas regiões, principalmente as corticais pré-frontais. Esse mecanismo compensatório, chamado de up-regulation, pode ser útil nas fases iniciais da doença, mas eventualmente ocorre uma falha da auto-regulação da serotonina. Dessa forma, mesmo com uma maior densidade de receptores 5-HT1A pré-sinápticos, o efeito antidepressivo desses receptores é inibido, resultando na depressão clinica.
Figura 8: Hipótese Serotonérgica da Depressão Já existe evidência suficiente para acreditar que o transtorno depressivo maior é acompanhado por um aumento da densidade de receptores 5-HT2A e 5-HT1A no córtex pré-frontal de pacientes deprimidos (up-regulation), ao mesmo tempo em que existe uma diminuição da densidade de receptores 5-HT1A (down-regulation), no hipocampo e amígdala de pacientes com transtorno depressivo maior.
Receptores 5-HT1E e 5-HT1F Pouco se sabe a respeito da localização dos receptores 5-HT1E. Os receptores 5-HT1F se localizam no córtex cerebral, corpo estriado, hipocampo e bulbo olfatório. Pouco se sabe a respeito da função de ambos, além de serem inibidores da adenilciclase.
A família 5-HT2 se encontra principalmente no claustro, córtex cerebral, tubérculo olfatório, estriado e núcleo acumbens (5-HT2A) havendo, porém, receptores no plexo coróide, globo pálido, hipotálamo, septo, substância negra e medula espinhal (5-HT2C). A localização dos receptores 5-HT2B ainda não é clara. Agem (1) estimulando a fosfolipase C e (2) fechando canais de K+, provocando uma excitação neuronal, de maneira oposta aos receptores 5-HT1. O receptor 5-HT2A é sempre pós-sináptico, tendo um efeito excitador na condução do impulso nervoso. A estimulação dos receptores 5-HT2A produz: 1. Agitação 2. Acatisia 3. Ansiedade 4. Insônia 5. Ataques de pânico 6. Disfunção sexual
· 5-HT3 A família 5-HT3 se localiza no hipocampo, córtex entorinal, amígdala, núcleo acumbens, trato do nervo solitário, nervo trigêmeo, núcleo motor dorsal do vago, área postrema e medula espinhal. Atua, portanto, no sistema límbico e sistema nervoso autônomo. Sua estimulação resulta em: 1. Náusea 2. Desconforto gastrintestinal 3. Diarréia
4.
Cefaléia · 5-HT4 A família 5-HT4 se localiza no hipocampo, corpo estriado, tubérculo olfatório e substância negra. Pouco se sabe a respeito de suas funções, alem de serem estimuladores da adenilciclase.
Pouco se sabe a respeito desses receptores, além de que os receptores 5-HT6 e 5-HT7 são estimuladores da adenilciclase.
Interações entre neurônios Noradrenergicos e Serotoninérgicos
Receptor Noradrenérgico pré-sináptico α2 inibitório no neurônio serotoninérgico Existe mais uma forma de inibir a liberação de 5-HT no neurônio serotoninérgico, além da ocupação dos auto-receptores 5-HT1A e 5-HT1D pela serotonina. No terminal do axônio do neurônio serotoninérgico, como também em sinapses axônicas em neurônios serotoninérgicos, existe um receptor adrenérgico, o α2, que é ocupado pela noradrenalina, com inibição da liberação da serotonina. Este receptor α2 também é denominado heteroreceptor α2 inibitório. Esse termo é usado porque envolve uma interação entre diferentes tipos de neurônios, um serotoninérgico e outro adrenérgico.
Receptor Noradrenérgico pós-sináptico α1 excitatório no neurônio serotoninérgico No corpo celular e nos dendritos do neurônio serotoninérgico existe um hetero-receptor excitatório, o α1, que estimula a liberação de serotonina quando ocupado pela noradrenalina.
Em resumo: · O receptor 5-HT1A pós-sináptico se localiza no botão pós-sináptico e trabalha com inibição neuronal, ajudando a enviar sinais químicos do neurônio serotoninérgico para outros neurônios (onde ele está localizado), e também participa na regulação da temperatura. · O receptor 5-HT1A pré-sináptico é um auto-receptor somatodendrítico. É responsável pela auto-regulação do neurônio serotoninérgico. Quando ele se acopla ao 5-HT, existe diminuição do fluxo estimulatório do axônio e diminuição da liberação de 5-HT na região sináptica. Quando ele é bloqueado pelos ISRS, existe aumento da liberação de 5-HT, com melhora dos sintomas de depressão, comportamento obsessivo-compulsivo, ataques de pânico, fobia social e bulimia. · O receptor 5-HT1D pré-sináptico também é um tipo de auto-receptor, mas que se localiza no terminal do axônio pré-sináptico, sendo, portanto denominado auto-receptor terminal. Se o auto-receptor 5-HT1D é estimulado (acoplado ao 5-HT), existe um bloqueio da liberação de serotonina. Quando ele é estimulado, ocorre ação anti-enxaqueca. · A estimulação do receptor 5-HT2A, de localização pós-sináptica, trabalha com estimulação neuronal e produz agitação, acatisia, ansiedade, ataques de pânico, insônia e disfunção sexual quando se acopla ao 5-HT. · A estimulação do receptor 5-HT3 é de localização pós-sináptica. Sua estimulação produz náusea, desconforto gastrintestinal, diarréia e cefaléia.
Implicações Clínicas
Depressão
Basicamente,
o que ocorre na depressão é uma diminuição da quantidade de
neurotransmissor disponível na fenda sináptica. Quando se
administram antidepressivos que inibem a monoaminoxidase
(inibidores da MAO ou tricíclicos), com diminuição da destruição
da serotonina, ou quando é administrado um inibidor seletivo da
bomba de recaptação da serotonina (ISRS), ambos acarretando
aumento da quantidade desse neurotransmissor disponível na fenda
sináptica, existe melhora dos sintomas. O sistema serotoninérgico
está, sem dúvida, envolvido na fisiopatologia dos transtornos do
humor. Resta saber qual é o seu papel, ou papéis exatos. Uma
pesquisa clássica (1) favorece uma teoria multifatorial que
envolve: 1) Condições de síntese, liberação, recaptação e metabolismo de 5-HT (e de seu precursor, o L-TRP) que acarretam uma diminuição da disponibilidade desse neurotransmissor ou dificuldade de uso: Existem vários relatos (2,1) de que a disponibilidade de L-TRP (L Triptofano) está diminuída em pacientes com transtorno depressivo maior, quando comparados a um grupo controle ou com quadros depressivos mais leves. Acreditava-se que níveis diminuídos de L-TRP poderiam ocorrer por competição com outros aminoácidos competidores (CAA), mas ficou demonstrado que a relação L-TRP/CAA favorece mais uma diminuição de L-TRP do que aumento dos CAA (2). No entanto, os níveis plasmáticos diminuídos de L-TRP nos pacientes deprimidos não aumentam depois da ingestão ou até depois de uma reposição intravenosa de L-TRP (3,4), indicando um mecanismo mais complexo que relacione níveis plasmáticos de L-TRP e depressão. Uma das hipóteses para explicar níveis séricos baixos foi um aumento do catabolismo do L-TRP, que pode ser constatado por um aumento da excreção urinária de ácido xanturênico, um dos metabólitos do L-TRP, depois de uma administração de 5g de L-TRP. De fato, nos deprimidos existe um aumento do clearance do ácido xanturênico sem um aumento correspondente de níveis séricos de L-TRP, que sugere aumento do catabolismo de L-TRP em deprimidos. Existem então vários estudos que sugerem uma diminuição do fornecimento de precursor para a síntese de 5-HT e que essa carência de matéria prima para a fabricação desse neurotransmissor não é alimentar e sim metabólico.
Esses fatos
poderiam contribuir para o entendimento completo da fisiopatologia
da depressão e um caminho valioso para a síntese de medicamentos
que corrigissem esse defeito, porem duas questões fundamentais
impedem que a pesquisa pare aqui: Por que algumas pessoas melhoram
com o uso de antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos da
recaptação da serotonina (ISRS) e outras não; e Por que, mesmo
quando há resposta, existe sempre um intervalo tão grande (às
vezes, até um mês), entre o início da tomada desses medicamentos e
o início dos efeitos terapêuticos? 2) Anormalidades nos receptores pré-sinápticos e pós-sinápticos de 5-HT: · Alterações pré-sinápticas: Serotonina plaquetária: As plaquetas no sangue são capazes de captar, armazenar e liberar serotonina em receptores plaquetários de 5-HT de uma maneira muito semelhante com o que acontece nos neurônios 5-HT do sistema nervoso central, fornecendo assim um bom modelo (5). Como a captação, armazenamento e liberação do 5-HT ocorre nos terminais axônicos dos neurônios serotoninérgicos, esses mecanismo seria de natureza pré-sináptica. Mesmo assim, não é possível fazer uma correlação clara entre a diminuição de captação plaquetária de 5-HT e uma diminuição correspondente de diminuição de captação de 5-HT na presença de antidepressivos em neurônios por diversas razões: existem relatos (5) de que em pacientes deprimidos, a imipramina (um antidepressivo tricíclico), se liga de uma maneira deficitária, às plaquetas, quando comparado a grupos de controle. Esses estudos são ambíguos porque a imipramina opera em dois tipos diferentes de receptores, um sítio de captação com alta afinidade para 5-HT e outro, de baixa afinidade, que não está relacionada com a proteína transportadora (6). A paroxetina (um antidepressivo ISRS, capaz de produzir uma forte inibição de captação de 5-HT), se liga especificamente ao sítio relacionado com a proteína transportadora, sugerindo um mecanismo pré-sináptico. No entanto, outro estudo (7), não foi capaz de demonstrar que nesses pacientes, a captação de serotonina plaquetária e neuronal era semelhante.
· Ácido 5-Hidroxindolacético (5-HIAA) no líquido cérebro-espinhal O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina. Era de se esperar que a baixa quantidade de 5-HT encontrada em pacientes com depressão deveria ser acompanhada por uma baixa correspondente de 5-HIAA no líquor, porém vários estudos não foram capazes de demonstrar diferenças entre pacientes deprimidos e controles. De fato, baixos níveis de 5-HIAA se relacionam mais com comportamento suicida violento e aumento da impulsividade do que em pacientes deprimidos (8). · Alterações pós-sinápticas · Receptor 5-HT2 Em pacientes deprimidos é comum encontrar um aumento de receptores 5-HT2A pós-sinápticos, por causa da depleção de neurotransmissor, que ocasiona um aumento do número de receptores (up-regulation). Em plaquetas isso ocasiona um aumento da agregação plaquetária, devido a um aumento funcional dos receptores (15). Nessas situações, existe também um aumento do Cálcio intracelular (o Ca é essencial para que ocorra liberação de neurotransmissor das vesículas sinápticas para a fenda sináptica). Existem estudos que podem demonstrar esse fenômeno de up-regulation diretamente em receptores 5-HT2 neurais. Alguns relatos demonstram um aumento de receptores 5-HT2A em córtex frontal de pacientes com depressão (1,2). · Receptor 5-HT1 pós-sináptico Já foi demonstrado um aumento da captação de 5-HT1A no córtex pré-frontal de pacientes suicidas (13), apesar de que outros estudos não confirmem isso. Alguns autores demonstraram uma resposta diferenciada, constatando aumento da densidade de receptores 5-HT1A em córtex pré-frontal juntamente com uma diminuição da densidade desses receptores no hipocampo e amígdala de pacientes deprimidos (12).
3) O conhecimento que surgiu depois do uso dos antidepressivos Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): Quando se administra um ISRS, ele imediatamente bloqueia a bomba de recaptação da serotonina nas duas extremidades do neurônio serotoninérgico, causando um aumento do neurotransmissor na região somatodendrítica, mas não nos terminais axônicos inicialmente. Os receptores somatodendríticos e terminais estão ainda com densidade elevada, estando up-regulated, com conseqüente diminuição do fluxo de impulsos axônicos libertadores de serotonina nos terminais. Acredita-se que é por essa razão que não se observam efeitos imediatos depois da administração desses antidepressivos, apesar de haver um aumento da quantidade de serotonina na região somatodendrítica.
Figura 9:
O ISRS bloqueia a recaptação da serotonina nos dendritos e no
axônio. Após um certo tempo, ocorre uma diminuição da densidade dos receptores (down-regulation), na região somatodendrítica, mas ainda não no terminal axônico. Nessa fase, já existe um aumento de fluxo de impulsos no axônio, com aumento da quantidade de neurotransmissor na fenda sináptica, mas os receptores pós-sinápticos ainda estão up-regulated.
Figura 10:
Down-regulation nos receptores somatodendríticos e
Os efeitos antidepressivos dos ISRS ainda não são observados nessa fase. Finalmente, o aumento da quantidade de neurotransmissor na fenda sináptica causa uma diminuição da densidade de receptores no botão pós-sináptico, com conseqüente melhora dos sintomas clínicos.
Figura 11:
O down-regulation dos receptores pós-sinápticos permite uma
· Antagonistas e Agonistas de Receptores Outros antidepressivos como a nefazodona, trazodona e mirtazapina agem como antagonistas dos receptores 5-HT2A e dos hetero-receptores noradrenérgicos α2. Como os hetero-receptores noradrenérgicos α2 inibem a liberação de serotonina, uma ação antagônica sobre esses receptores aumentaria a liberação de serotonina. O antagonismo dos receptores 5-HT2A diminuiria sintomas de agitação, acatisia, ansiedade, ataques de pânico, insônia e disfunção sexual observada pela estimulação desses receptores. A buspirona age como agonista dos auto-receptores 5-HT1A, que exibem uma ação antidepressiva, anti-obsessivo-compulsiva, anti-pânico, anti-fobia social e anti-bulímico, ambos agindo de maneira pós-sináptica.
· Controle indireto da liberação de serotonina e noradrenalina Os neurônios do sistema 5-HT também estão sujeitos ao controle exercido por outros centros, havendo um controle excitatório noradrenérgico, vindo de vários núcleos pontinos, assim como um controle inibitório, vindo do córtex pré-frontal mediado por glutamato, assim como controle inibitório mediado por inter-neurônios locais, através do ácido gama-aminobutírico (GABA). Enfim, os neurônios 5-HT, parecidamente com os neurônios motores da medula espinhal agem como uma via final comum para estímulos provindos de vários locais.
Resumo O processo de despolarizações e repolarizações sucessivas pelo axônio é chamado de propagação do impulso, por intermédio de um potencial de ação, sendo esse um fenômeno de natureza elétrica. Quando o potencial de ação alcança o terminal do axônio, ele altera a permeabilidade da membrana do mesmo, despolarizando-a e liberando um neurotransmissor. A modulação do impulso se deve ao fato de que o mesmo neurotransmissor pode combinar-se com diferentes tipos de receptores, produzindo efeitos diferentes. A serotonina (5-hidroxitriptamina,5-HT), é formada pela hidroxilação e descarboxilação do aminoácido triptofano. O triptofano, precursor do 5-HT, é admitido para dentro da célula pela bomba transportadora de triptofano, que é convertido em serotonina. Fibras nervosas estimulam o terminal do axônio a secretar 5-HT, tanto através da despolarização, como pela ação de proteína 5-HT transportadora. Depois de se acoplarem aos receptores pós-sinápticos, as moléculas de serotonina serão readmitidas para dentro do neurônio serotoninérgico através da proteína 5-HT transportadora, que age como uma bomba de recaptação seletiva da serotonina. No cérebro, a serotonina é ligada a uma variedade de funções como a regulação do sono, percepção da dor, temperatura corporal, pressão arterial e atividade hormonal. Os circuitos centrais da serotonina compreendem axônios que partem de neurônios que se encontram em núcleos no tronco cerebral e que emitem axônios que se distribuem pela maior parte do córtex cerebral e núcleos sub-corticais. Neurônios que secretam 5-HT são chamados de serotoninérgicos. A função da serotonina é exercida pela sua interação com receptores específicos. Sete tipos específicos de receptores já foram clonados. Desses sete tipos, vários sub-tipos foram discriminados: O receptor 5-HT1A pós-sináptico se localiza no botão pós-sináptico e trabalha com inibição neuronal, ajudando a enviar sinais químicos do neurônio serotoninérgico para outros neurônios (onde ele está localizado), e também participa na regulação da temperatura. Quando ele é estimulado, existe aumento da liberação de 5-HT, com melhora dos sintomas de depressão, comportamento obsessivo-compulsivo, ataques de pânico, fobia social e bulimia. O receptor 5-HT1A pré-sináptico é um auto-receptor somatodendrítico. É responsável pela auto-regulação do neurônio serotoninérgico. Quando ele se acopla ao 5-HT, existe diminuição do fluxo estimulatório do axônio e diminuição da liberação de 5-HT na região sináptica. Quando ele é bloqueado pelos ISRS, existe aumento da liberação de 5-HT, com melhora dos sintomas de depressão, comportamento obsessivo-compulsivo, ataques de pânico, fobia social e bulimia. O receptor 5-HT1D pré-sináptico também é um tipo de auto-receptor, mas que se localiza no terminal do axônio pré-sináptico, sendo, portanto denominado auto-receptor terminal. Se o auto-receptor 5-HT1D é estimulado (acoplado ao 5-HT), existe um bloqueio da liberação de serotonina. Quando ele é estimulado, ocorre ação anti-enxaqueca. A estimulação do receptor 5-HT2A, de localização pós-sináptica, trabalha com estimulação neuronal e produz agitação, acatisia, ansiedade, ataques de pânico, insônia e disfunção sexual quando se acopla ao 5-HT. A estimulação do receptor 5-HT3 é de localização pós-sináptica. Sua estimulação produz náusea, desconforto gastrintestinal, diarréia e cefaléia. Ainda não se conhecem os efeitos da estimulação dos receptores 5-HT5A e 5-HT5B 5-HT6 e 5-HT7. Existem três maneiras de se inibir a liberação de serotonina pelo neurônio serotoninérgico: · Pela ocupação do auto-receptor serotoninérgico 5-HT1A pela serotonina. · Pela ocupação do auto-receptor serotoninérgico 5-HT1D pela serotonina.
·
Pela
ocupação do hetero-receptor noradrenérgico α2 pela
noradrenalina. Existem duas maneiras de se estimular a liberação de serotonina por neurônios serotoninérgicos: · Pela desocupação do auto-receptor serotoninérgico 5-HT1A pela serotonina. · Pela desocupação do hetero-receptor noradrenérgico α2 pela noradrenalina. Basicamente, o que ocorre na depressão é uma diminuição da quantidade de neurotransmissor disponível na fenda sináptica. Quando se administram antidepressivos que inibem a mono-aminoxidase (inibidores da MAO ou tricíclicos), com diminuição da destruição da serotonina, ou quando é administrado um inibidor seletivo da bomba de recaptação da serotonina (ISRS), ambos acarretando aumento da quantidade desse neurotransmissor disponível na fenda sináptica, existe melhora dos sintomas. O sistema serotoninérgico está, sem dúvida, envolvido na fisiopatologia dos transtornos do humor. Em pacientes deprimidos é comum encontrar um aumento de receptores 5-HT2A pós-sinápticos, por causa da depleção de neurotransmissor, que ocasiona um aumento do número de receptores (up-regulation). Já foi demonstrado um aumento da captação de 5-HT1A no córtex pré-frontal de pacientes suicidas (48), apesar de que outros estudos não confirmem isso. Alguns autores demonstraram uma resposta diferenciada, constatando aumento da densidade de receptores 5-HT1A em córtex pré-frontal juntamente com uma diminuição da densidade desses receptores no hipocampo e amígdala de pacientes deprimidos (12). Quando se administra um ISRS, ele imediatamente bloqueia a bomba de recaptação da serotonina nas duas extremidades do neurônio serotoninérgico, causando um aumento do neurotransmissor na região somatodendrítica, mas não nos terminais axônicos inicialmente. Os receptores somatodendríticos e terminais estão ainda com densidade elevada, estando up-regulated, com conseqüente diminuição do fluxo de impulsos axônicos libertadores de serotonina nos terminais. Acredita-se que é por essa razão que não se observam efeitos imediatos após a administração desses antidepressivos, apesar de haver um aumento da quantidade de serotonina na região somatodendrítica. Finalmente, o aumento da quantidade de neurotransmissor na fenda sináptica causa uma diminuição da densidade de receptores no botão pós-sináptico, com conseqüente melhora dos sintomas clínicos. Como os hetero-receptores noradrenérgicos α2 inibem a liberação de serotonina, uma ação antagônica sobre esses receptores aumentaria a liberação de serotonina. O antagonismo dos receptores 5-HT2A diminuiria sintomas de agitação, acatisia, ansiedade, ataques de pânico, insônia e disfunção sexual observada pela estimulação desses receptores. A buspirona age como agonista dos auto-receptores 5-HT1A, que exibem uma ação anti-depressiva, anti-obsessivo-compulsiva, anti-pânico, anti-fobia social e anti-bulímico, ambos agindo de maneira pós-sináptica.
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Links Interessantes1. 5-HT Receptors and their Ligands 5-HT Receptors and their Ligands 2. Molecular Biology of Serotonin Receptors 6. Serotonin Receptors Present in the Central Nervous System 7. The Serotonin Hypothesis of Major Depression 8. The new antidepressants - mechanisms of action 9. Biochemistry of Neurotransmitters 10. All About Depression: Causes: Biology, Brain, Neurotransmitters, Hormones 12. Brain Explorer - Neurological Control - Neurotransmission
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