TRANSTORNOS DO HUMOR II
por Mário Márcio Negrão - Médico Neurologista / Psicoterapeuta - CRM 3258

marionegrao.orgone@gmail.com



Definições

Para melhor compreenderemos no que consiste o estado de humor e seus transtornos,  precisamos entender que o humor faz parte de uma classificação maior de estados psíquicos denominados em grupo pelo termo afetividade.

Os afetos podem ser comparados ao tempero dos alimentos, que conferem características sem as quais eles perderiam qualidades individuais, capazes de enriquecer a experiência. O afeto é importante para se fazer um juízo das vivências, no sentido de serem boas ou más, agradáveis ou desagradáveis, certas ou erradas, bonitas ou feias. A vida sem afeto se torna vazia, sem sabor.

 

Afetividade

A mente possui alguns estados psíquicos básicos e subjetivos para qualificar os estímulos, estados e ações:

·          As sensações qualificam as propriedades dos estímulos, estados e ações. Ao referir-se a um objeto, uma sensação é uma estimulação dos órgãos dos sentidos gerados por estímulos físicos ou químicos, tanto de origem interna quanto externa. No campo dos estados e ações, uma sensação denota a presença de um evento. Tanto numa situação como noutra, uma sensação atribui as qualidades intrínsecas daquele fenômeno. Quando afagamos um gato, características como maciez, calor, etc. qualificam aquilo que está sendo tocado, a ponto de podermos evocar a palavra pêlo. Ao mesmo tempo, o ato de afagar nos comove até alguma reação nova, que pode ser um sorriso, p. ex. Nesse momento, vivenciamos um afeto.

·         Os afetos podem ser vistos como uma conseqüência das ações do indivíduo que visam à satisfação de suas necessidades (corporais ou psíquicas). Se essas ações são bem sucedidas, o afeto é agradável, caso contrário, é desagradável. 

A palavra afeto vem do latim afficere, que significa influenciar, afetar e o conceito de afetividade possui quarto subdivisões: 

1.   As emoções são afetos agudos, momentâneos, acompanhados por uma hiperatividade do sistema nervoso autonômico. Sendo assim, são estados afetivos intensos, de curta duração. São experiências psíquicas e somáticas que ocorrem ao mesmo tempo, produzindo uma alteração global da dinâmica pessoal.

2.   Os sentimentos são estados afetivos menos intensos e mais duradouros que as emoções, sem alterações físicas, pertencendo assim mais à esfera psíquica do que somática. Possuem uma natureza mais cognitiva do que as emoções estando, por essa razão, mais direcionados para experiências intelectuais. Geram estados afetivos característicos como tristeza, amizade, amor e alegria.

3.    As paixões são estados afetivos intensos, acoplados a idéias, que conseguem monopolizar e dirigir a atenção e o comportamento. 

4.   O humor representa a somatória dos estados afetivos presentes num indivíduo a um dado momento, podendo ser definido também como estado de ânimo ou tônus afetivo, sendo um estado afetivo basal, não se relacionando a nenhum objeto específico. Sendo assim, o humor pode ser alegre, triste, irritável, calmo ou ansioso.

 

Estados de Alteração do Humor

O termo psicopatológico para designar as alterações do humor é distimia (não confundir o sintoma distimia com o transtorno distímico, que significa um rebaixamento do humor leve e crônico).  A distimia possui duas subdivisões que representam uma polaridade importante para entender as patologias aqui descritas: 

·         Primeiramente, temos as distimias que ocupam o polo do humor rebaixado, conhecido como distimia hipotímica, ou depressão, que significa uma tristeza patológica.

·         No outro polo existe a alegria patológica ou distimia hipertímica, também conhecida como mania. 

 Existem também estados intermediários: um representando uma forma atenuada do estado maníaco, chamado estado hipomaníaco e outro que engloba características maníacas e depressivas que ocorrem simultaneamente, chamado estado misto. 

O estado depressivo, o estado maníaco, o estado hipomaníaco e o estado misto possuem sintomas próprios, cada um caracterizando uma síndrome peculiar, que ocorre em episódios:
 

Episódio Depressivo Maior (DSM-IV)1 

Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é: (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer.
Nota: Não incluir sintomas nitidamente devido a uma condição médica geral ou alucinações ou delírios incongruentes com o humor.

1) Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex. sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (p. ex.: chora muito).

Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.


2) Interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou observação feita por outros).


3) Perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta (por ex. mais de 5% do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias.
Nota: Em crianças, considerar falha em apresentar os ganhos de peso esperados.


4) Insônia ou hipersônia quase todos os dias.

 
5) Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento).


6) Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.

 
7) Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente).

 
8) Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros).

 
9) Pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

 
a) Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto


b) Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.


c) Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p. ex., droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (p. ex.: hipotireoidismo).

 

d) Os sintomas não são melhor explicados por luto, ou seja, após a perda de um ente querido, os sintomas persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por acentuado prejuízo funcional, preocupação mórbida com desvalia, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor. 

 

Episódio Maníaco (DSM-IV)1 

a)      Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, durando pelo menos 1 semana (ou qualquer duração, se a hospitalização é necessária).  

b)      Durante o período de perturbação do humor, três (ou mais) dos seguintes sintomas persistiram (quatro, se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau significativo:  

(1)   Auto-estima inflada ou grandiosidade

(2)   Necessidade de sono diminuída (por ex. sente-se repousado depois de apenas 3 horas de sono)

(3)   Mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar

(4)   Fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo

(5)   Distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com excessiva facilidade para estímulos externos insignificantes ou irrelevantes)

(6)   Aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou sexualmente) ou agitação psicomotora

(7)   Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para conseqüências dolorosas (p. ex., envolvimento em surtos incontidos de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos)  

c)      Os sintomas não satisfazem os critérios para Episódio Misto  

d)      A perturbação do humor é suficientemente severa para causar prejuízo acentuado no funcionamento ocupacional, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.  

e)      Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p. ex., uma droga de abuso, um medicamento ou outro tratamento) ou de uma condição médica geral (p. ex.,  hipertireoidismo).
Nota: Episódios tipo maníacos nitidamente causados por um tratamento antidepressivo omático (p. ex., medicamentos, terapia eletroconvulsiva, fototerapia) não devem contar para um diagnóstico de Transtorno Bipolar I. 

 

Episódio Hipomaníaco (DSM-IV)1 

a)      Um período distinto de humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável, durando todo o tempo ao longo de pelo menos 4 dias, nitidamente diferente do humor habitual não-deprimido.

b)      Durante o período da perturbação do humor, três (ou mais) dos seguintes sintomas persistiram (quatro se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau significativo:


(1) Auto-estima inflada ou grandiosidade

(2) Necessidade de sono diminuída (por ex. sente-se repousado depois de apenas 3 horas de sono)

(3) Mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar

(4) Fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo

(5) Distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com demasiada facilidade para estímulos externos insignificantes ou irrelevantes)

(6) Aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou sexualmente) ou agitação psicomotora

      (7)  Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para conseqüências dolorosas (p. ex., envolver-se em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos)

c)      O episódio está associado com uma inequívoca alteração no funcionamento, que não é característica da pessoa quando assintomática.  

d)      A perturbação do humor e a alteração no funcionamento são observáveis por outros.  

e)      O episódio não é suficientemente severo para causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional, ou para exigir a hospitalização, nem existem aspectos psicóticos.  

f)        Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (ex.:  droga

de abuso, medicamento ou outro tratamento) ou de uma condição médica geral (ex.: hipertiroidismo).
Nota: Os episódios tipo hipomaníacos nitidamente causados por um tratamento antidepressivo somático (ex.: medicamentos, terapia eletroconvulsiva e fototerapia) não devem contar para um diagnóstico de Transtorno Bipolar II.

 

Episódio Misto (DSM-IV)1 

a)     Satisfazem-se os critérios tanto para Episódio Maníaco quanto para Episódio Depressivo Maior (exceto pela duração), quase todos os dias, durante um período mínimo de 1 semana.  

b) A perturbação do humor é suficientemente severa para causar acentuado prejuízo no funcionamento ocupacional, em atividades sociais costumeiras ou relacionamentos com outros, ou para exigir a hospitalização para prevenir danos ao indivíduo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.  

c)  Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (ex.: droga de abuso, medicamento ou outro tratamento) ou de uma condição médica geral (ex.: hipertiroidismo).
Nota: Episódios tipo mistos causados por um tratamento antidepressivo somático (ex.: medicamento, terapia eletroconvulsiva, fototerapia) não devem contar para um diagnóstico de Transtorno Bipolar I.

 

Transtornos do Humor

 

Transtorno Depressivo Maior 

Uma pessoa com Transtorno Depressivo Maior (TDM), não apresenta episódios maníacos ou hipomaníacos. É o pior tipo de depressão.  É mais comum em mulheres (10% a 20%) do que em homens (5% a 12%). Pacientes com TDM têm uma probabilidade 1.5 a 3 vezes mais do que a população geral de ter uma história familiar.

  

 Formas Clínicas

·         Transtorno depressivo Maior, Episódio Único 

·   Presença de um único episódio de Transtorno Depressivo Maior.

·  É necessário que se exclua um transtorno Esquizo-afetivo e que não haja a superposição de uma Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme,

·   Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico não especificado.  

·   Nunca houve um Episódio Maníaco, Hipomaníaco ou Misto.

    

·         Transtorno depressivo Maior, Forma Recorrente 

·   Presença de dois ou mais surtos de Episódio Depressivo Maior.

·   É necessário que se exclua um transtorno Esquizo-afetivo e que não haja a superposição de uma Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme,

·    Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico não especificado.  

·    Nunca houve um Episódio Maníaco, Hipomaníaco ou Misto

 

Especificadores

a) Severidade:

·         Leve: sintomas causam pouco prejuízo ocupacional, social ou relacional.

·         Moderado: sintomas causam prejuízo ocupacional, social ou relacional

com severidade que se situa entre leve e severo.

·         Severo sem sintomas Psicóticos: sintomas causam prejuízo ocupacional,

social ou relacional severo.

·         Severo com sintomas Psicóticos: sintomas causam prejuízo ocupacional,

social ou relacional severo e se associam a Delírios e Alucinações.

·         Os sintomas psicóticos podem ser :

Congruentes: Quando os delírios e alucinações possuem

·         um conteúdo consistente com inadequação pessoal, culpa, doença, morte, nihilismo ou castigo.

Incongruentes: Quando os delírios e alucinações possuem

·         um conteúdo consistente com inadequação pessoal, culpa, doença, morte, nihilismo ou castigo e a isso se soma

·         delírios de perseguição, inserção de pensamento, irradiação de pensamentos ou delírio de controle.

 b) Remissões:

·         Em remissão parcial: Nem todos os sintomas de Episódio Depressivo Maior estão presentes ou existe um período assintomático com duração menor que 2 meses depois de um Episódio Depressivo Maior.

·         Em remissão completa:  assintomático durante os últimos 2 meses.

 c) Cronicidade:

·         Forma crônica: Sintomas para um Episódio Depressivo Maior estão                            presentes há mais de 2 anos.

 d) Com Catatonia: o quadro clínico apresenta pelo menos dois dos sintomas:

1.      Imobilidade motora, evidenciada por catalepsia ou estupor.

2.      Atividade motora excessiva.

3.      Negativismo extremo.

4.      Posturas inapropriadas ou bizarras.

5.      Ecolalia ou ecopraxia.

e) Com Melancolia:

A.      Qualquer um dos dois:

1. Perda do prazer nas atividades

2. Falta de reatividade a estímulos prazerosos.

 

B.     Três ou mais dos seguintes:

1.      Humor deprimido

2.      Sintomas piores pela manhã

3.      Despertar precoce

4.      Retardo ou agitação psicomotora

5.      Anorexia ou perda do peso

6.      Culpa excessiva

 

     C.    Forma Atípica

1. Humor reativo (humor melhora com eventos positivos).

2. Dois ou mais dos seguintes:

·         Aumento do peso e apetite.

·         Hipersônia.

·         Sensação de peso nos membros.

·         Sensibilidade a rejeição interpessoal.

 

                       D.     Forma pós-parto:  Início no pós-parto.

 

 Transtorno Distímico 

Pacientes com Transtorno Distímico sofrem de uma depressão leve, sem sintomas Maníacos ou Hipomaníacos. Aproximadamente 6% da população pode ter o Transtorno Distímico. Quando, depois de dois anos de Transtorno Distímico a pessoa tem Transtorno Depressivo concomitantemente, diz-se que tem Depressão Dupla.

 

 
Quadro Clínico

A.    Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias durante pelo menos dois anos.

B.    Presença concomitante de dois ou mais dos seguintes: 

1.      Diminuição ou aumento do apetite

2.      Insônia ou hipersônia.

3.      Baixa energia ou fadiga.

4.      Baixa auto-estima.

5.      Indecisão e/ou baixa concentração.

6.      Desesperança.

 

C. Durante o período de dois anos, o paciente nunca esteve sem os sintomas de A ou B  por + do que 2 meses            

D. Ausência de Episódio Depressivo Maior durante os primeiros dois anos da doença.

Depois dos dois anos iniciais, pode haver superposição de Episódios Depressivos Maiores. Nesses casos se usa o termo Depressão Dupla.

 E. Nunca houve episódios de Mania, Hipomania ou Misto.

F. Não existem sintomas psicóticos concomitantes.

G. Os sintomas não se devem a abuso de drogas, medicações ou doenças clínicas.

H. Os sintomas causam prejuízo social, ocupacional ou relacional.

 

 Especificadores:

 Início precoce:  Quando os sintomas iniciam antes dos 21 anos.

 Início tardio:      Quando os sintomas iniciam depois dos 21 anos.

  

Transtorno Ciclotímico 

            O Transtorno Ciclotímico envolve alternar entre episódios de mania e depressão. Difere dos bipolares no sentido de que nunca atinge uma crise depressiva ou maníaca completa. A incidência desse transtorno varia entre 0.4% a 1% da população.  Como não é um quadro severo, muitas vezes passa despercebido.

5% a 20% dos casos deciclotimia desenvolverão um transtorno bipolar eventualmente.
 

 

 

Quadro Clínico 

1. Durante pelo menos dois anos, ocorrem numerosos períodos de hipomania alternando com sintomas depressivos que não atingem os critérios para um Transtorno Depressivo Maior.

2. Durante o período de dois anos, o paciente não ficou assintomático por menos do que dois meses.

3. Não houve a presença de Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio Misto, antes dos primeiros dois anos de doença.  Se esses episódios ocorrerem depois dos dois anos iniciais, pode ser feito o diagnóstico de Transtorno Bipolar com Transtorno Ciclotímico.

4. Não existem sintomas psicóticos.

5. Os sintomas não se devem aos efeitos de uma droga, medicamento ou doença geral.

6. Existe prejuízo ocupacional, social e relacional.

 

Transtorno Bipolar II 

O Transtorno Bipolar II envolve Episódios Depressivos Maiores e Episódios Hipomaníacos. Visto que uma porção significativa não apresenta Episódios Maníacos completos, o Transtorno Bipolar foi dividido em Transtorno Bipolar I e Transtorno Bipolar II. Geralmente o Bipolar II é um estágio anterior para o Bipolar I (5% a 15% daqueles com Transtorno Bipolar II vão desenvolver Transtorno Bipolar I nos próximos 5 anos). A incidência geral de Bipolar II é de 0.5% da população geral.
 

 

Formas Clínicas 

1.         A presença (ou história) de um ou mais Episódios Depressivos Maiores

2.         A presença (ou história) de um ou mais Episódios Hipomaníacos

3.         Nunca houve um Episódio Maníaco ou Misto

4.         Não existem sintomas psicóticos

5.         Existe prejuízo ocupacional, social ou relacional

 

Especificadores 

Hipomaníaco:  Quando o episódio atual (ou mais recente) é hipomaníaco.

Deprimido:  Quando o episódio atual (ou mais recente) é um Episódio Depressivo Maior. 

 

Transtorno Bipolar I 

O Transtorno Bipolar I é a forma clássica da depressão maníaca, com Episódios Maníacos e Episódios Depressivos Maiores completos. Não há necessidade de haver um Episódio Depressivo Maior para se fazer o diagnóstico; quando a mania aparece sozinha, ainda se prefere chamar o quadro de Transtorno Bipolar I, pois podem aparecer quadros depressivos no futuro ou haver história dos mesmos. O Transtorno Maníaco Unipolar é raro, não existindo para muitos pesquisadores.  A incidência do Transtorno Bipolar I é de 0.4% a 1.6% da população em geral. 


 

Formas Clínicas

Transtorno Bipolar I, episódio Maníaco Único

1. A presença de um único Episódio Maníaco, sem passado de Episódios Depressivos Maiores.
2. Não existem sintomas psicóticos

 

Transtorno Bipolar I, episódio mais recente Hipomaníaco 

  1. Episódio atual (ou mais recente), Hipomaníaco
  2. Houve recentemente um Episódio Maníaco ou Episódio Misto
  3. Não existem sintomas psicóticos
  4. Existe prejuízo ocupacional, social ou relacional

 

Transtorno Bipolar I, episódio mais recente Maníaco

  1. Episódio atual (ou mais recente), Maníaco
  2. Houve previamente um Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio Misto
  3. Não existem sintomas psicóticos

 

Transtorno Bipolar I, episódio mais recente Misto

  1. Episódio atual (ou mais recente), Misto
  2. Houve previamente um Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio Misto
  3. Não existem sintomas psicóticos

 

Transtorno Bipolar I, episódio mais recente Depressivo

  1. Episódio atual (ou mais recente), Episódio Depressivo Maior
  2. Houve previamente um  Episódio Maníaco ou Episódio Misto
  3. Não existem sintomas psicóticos.

 

Transtorno Bipolar I, não especificado

  1. Existem critérios para um Episódio Maníaco, Hipomaníaco, Depressivo ou Misto, exceto pela duração
  2. Houve previamente pelo menos um Episódio Maníaco ou Misto
  3. Existe prejuízo ocupacional, social ou relacional
  4. Não existem sintomas psicóticos
  5. Não existe abuso de substância, medicamentos ou doença clínica

  

Transtorno do Humor devido a uma Condição Médica Geral 

  1. Humor deprimido e diminuição do interesse
  2. Humor elevado, expansivo ou irritado
  3. Existe uma condição médica geral
  4. Não existem outros distúrbios mentais
  5. Não existe delirium
  6. Existe prejuízo ocupacional, social ou relacional.

 

 

Links Interessantes 

A Silver Lining for Bipolar Disorders 

Atypical depressionDSM.IV - PsiqWeb 

Medscape Resource Center - Bipolar Disorder 

Psychotherapy for Bipolar Disorder: Treatments to Enhance Medication Adherence and Improve Outcomes 

THE MERCK MANUAL, Sec. 15, Ch. 189, Mood Disorders 

Anxiety and Bipolar disorder 

Bipolar Disorder - Manic Depression Information and Support 

Depressão - página principal / Dr. Ivan's Depression Central